Cuba está
vivendo uma crise de combustível, que se agravou desde o decreto de Trump de 29 de janeiro. O governo cubano afirma que, através de um bloqueio energético, os EUA estão tentando
estrangular a economia do país caribenho e tornar as condições de vida de seu povo insuportáveis.O
pesquisador e historiador Abel Aguilera disse em entrevista à Sputnik que a chegada deste navio à ilha representa "um
alívio diante do tenso e complexo cenário de desabastecimento" e, por sua vez, enfrenta o "bloqueio ilegal imposto por Washington".
"Cuba deve buscar a solidariedade dos países amigos no mundo, com o objetivo de que cheguem outros navios carregados de petróleo ou outros insumos, que possa adquirir em igualdade de condições ao restante dos territórios", disse ele.
A iniciativa, afirmou, "constitui uma vitória política e simbólica, e pode estimular outros Estados mais próximos, como México e Brasil, a que possam vender combustível à ilha, o que seria também um triunfo diplomático".
Ele recordou que o bloqueio dos EUA sobre a maior das Antilhas tem impacto direto na população e causa asfixia econômica ao limitar a aquisição de insumos com o propósito de provocar uma explosão social.
O
porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em sua coletiva de imprensa, mais cedo, que os derivados de petróleo e petróleo bruto são imprescindíveis para os serviços básicos do país, para gerar energia elétrica e prestar serviços médicos e de outro tipo à população.
Para o comunicador cubano Gilberto Ferrás Cobas, o apoio russo é um desafio central e direto ao cerco petroleiro.
Ele lembrou de outras ocasiões em que a Rússia ajudou a ilha, como quando enviou veículos públicos e recursos durante a pandemia de COVID-19 e após a passagem de eventos meteorológicos:
O entrevistado acrescentou que Moscou representa "um pilar fundamental na multipolaridade da nova ordem mundial à qual se aspira".
O analista Yosmany Fernández Pacheco também enfatizou a relevância da atitude solidária russa, diante de ações de determinados governos latino-americanos "servis aos EUA, submetidos às políticas de Washington contra a ilha". Ele comentou que embora a chegada do navio não represente "um atenuante a longo prazo", constitui um ato relevante, porque fere o bloqueio estadunidense.
Ainda segundo Pacheco, o Kremlin está disposto "não apenas a condenar e se opor às ações extraterritoriais dos Estados Unidos ou de qualquer outro país, mas também agir e fazer com que sua denúncia se concretize neste tipo de iniciativas".