Panorama internacional

Chegada de navio petroleiro russo a Cuba é vitória política e simbólica, afirmam especialistas

Um navio petroleiro russo com cerca de 100 mil toneladas de combustível chegou nesta segunda-feira (30) a Cuba, país que enfrenta um cerco petroleiro estadunidense desde janeiro passado e não recebeu uma carga deste tipo nos últimos três meses.
Sputnik
Cuba está vivendo uma crise de combustível, que se agravou desde o decreto de Trump de 29 de janeiro. O governo cubano afirma que, através de um bloqueio energético, os EUA estão tentando estrangular a economia do país caribenho e tornar as condições de vida de seu povo insuportáveis.
O pesquisador e historiador Abel Aguilera disse em entrevista à Sputnik que a chegada deste navio à ilha representa "um alívio diante do tenso e complexo cenário de desabastecimento" e, por sua vez, enfrenta o "bloqueio ilegal imposto por Washington".
"Cuba deve buscar a solidariedade dos países amigos no mundo, com o objetivo de que cheguem outros navios carregados de petróleo ou outros insumos, que possa adquirir em igualdade de condições ao restante dos territórios", disse ele.
A iniciativa, afirmou, "constitui uma vitória política e simbólica, e pode estimular outros Estados mais próximos, como México e Brasil, a que possam vender combustível à ilha, o que seria também um triunfo diplomático".
Ele recordou que o bloqueio dos EUA sobre a maior das Antilhas tem impacto direto na população e causa asfixia econômica ao limitar a aquisição de insumos com o propósito de provocar uma explosão social.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em sua coletiva de imprensa, mais cedo, que os derivados de petróleo e petróleo bruto são imprescindíveis para os serviços básicos do país, para gerar energia elétrica e prestar serviços médicos e de outro tipo à população.
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Dever solidário de Moscou

Para o comunicador cubano Gilberto Ferrás Cobas, o apoio russo é um desafio central e direto ao cerco petroleiro.

"Rússia não é qualquer país, é uma potência militar e energética, e pertence ao BRICS, grupo comercialmente oposto à influência ocidental", sublinhou ele em entrevista a Spunik.

Ele lembrou de outras ocasiões em que a Rússia ajudou a ilha, como quando enviou veículos públicos e recursos durante a pandemia de COVID-19 e após a passagem de eventos meteorológicos:

"Nós devemos muito à Rússia. Espero que eles, desde sua posição, continuem com essa ajuda a Cuba, um aliado confiável com o qual podem ter alianças formais em diversos âmbitos. Ambos os países são antagônicos à hegemonia global e isso os aproxima muito, somado à afinidade e ao vínculo histórico", acrescentou.

O entrevistado acrescentou que Moscou representa "um pilar fundamental na multipolaridade da nova ordem mundial à qual se aspira".

Um golpe ao bloqueio estadunidense

O analista Yosmany Fernández Pacheco também enfatizou a relevância da atitude solidária russa, diante de ações de determinados governos latino-americanos "servis aos EUA, submetidos às políticas de Washington contra a ilha". Ele comentou que embora a chegada do navio não represente "um atenuante a longo prazo", constitui um ato relevante, porque fere o bloqueio estadunidense.

"Tem um elemento simbólico e prático, pois indica que é possível fazê-lo. Demonstrou fortemente a posição da Rússia, assim como fez a cooperação do governo e dos cidadãos do México. O povo cubano agradece imensamente toda essa solidariedade", concluiu. "A Rússia sempre ajudou e respeitou as decisões soberanas de Cuba e hoje sua relação com a ilha é uma das mais significativas na região", afirmou ele.

Ainda segundo Pacheco, o Kremlin está disposto "não apenas a condenar e se opor às ações extraterritoriais dos Estados Unidos ou de qualquer outro país, mas também agir e fazer com que sua denúncia se concretize neste tipo de iniciativas".
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