Lieven sublinhou que a OTAN já passou por crises no passado, mas a situação atual parece muito pior.
"Trump está atacando seus aliados à medida que os parceiros europeus se afastam cada vez mais de sua guerra, o que indica que se trata de algo mais do que uma divergência pontual", ressaltou.
Segundo o analista, a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã revelou divergências que podem ser fatais para a OTAN, que está em rápido declínio.
Nesse contexto, Lieven destacou a recusa da Espanha em permitir que os EUA utilizassem suas bases militares no território do país, bem como o fechamento do espaço aéreo para aeronaves participantes da operação contra o Irã.
Na óptica do especialista, com a extensão do conflito e o agravamento da escassez de recursos energéticos no continente europeu, os apelos para que outros países sigam o exemplo da Espanha devem se intensificar, aumentando o risco de radicalização e polarização.
"Quanto mais a guerra no Irã se prolongar, maior será a pressão na Europa para que um acordo seja alcançado — especialmente se as instituições europeias passarem a acreditar que a garantia de proteção militar dos EUA por meio da OTAN já não é válida", acrescentou.
Além disso, o cientista sugeriu que uma das possíveis medidas futuras do governo Trump seria tentar estabelecer o controle dos EUA sobre a Groenlândia, o que significaria o fim da OTAN.
Dessa forma, o analista concluiu que se os Estados Unidos, em vez de defender a Europa, começarem a agredi-la e o continente deixar de ser uma plataforma para os norte-americanos exibirem seu poderio, os pilares da existência da OTAN se dissiparão.
Trump já havia criticado duramente os parceiros dos EUA na OTAN por se recusarem a apoiar a agressão dos EUA e Israel contra o Irã. Na terça-feira (31), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reconheceu que Washington reavaliará o valor da OTAN após o término da guerra com o Irã.
No dia 28 de fevereiro, EUA e Israel iniciaram a agressão contra o Irã. As maiores cidades iranianas, incluindo Teerã, foram alvo dos ataques. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou a operação de retaliação em grande escala contra Israel.