O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, disse nesta quarta-feira (1º) que a Petrobras deve concluir "nas próximas semanas" a primeira pesquisa com perfuração destinada a avaliar a viabilidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Agostinho afirmou em entrevista à Sputnik Brasil, no Ministério do Meio Ambiente, que a estatal enfrentou problemas relacionados ao vazamento de fluidos no poço em análise, no bloco FZA-M-59 no Amapá, mas que a situação já foi solucionada. Ele ressaltou que o objetivo da operação atual não é a produção de petróleo.
"Não é um poço para produzir petróleo, é um poço exclusivamente para avaliar se tem petróleo", explicou.
O presidente do Ibama disse que a Petrobras permanece em uma etapa preliminar do processo para obtenção da licença ambiental para exploração na região. De acordo com ele, a companhia está numa "fase muito inicial" das pesquisas.
Agostinho comparou o estágio atual com o histórico de desenvolvimento do pré-sal, lembrando que, antes da exploração comercial, a Petrobras tinha realizado mais de 100 perfurações exploratórias. Na Margem Equatorial, por enquanto, apenas a perfuração no bloco no Amapá, com finalidade de pesquisa, está em vias de conclusão.
"O Ibama foi muito rigoroso", frisou o presidente do órgão ambiental, acrescentando que existe a possibilidade de a Petrobras solicitar novas perfurações em águas profundas na região como parte do processo de avaliação técnica.
O debate ocorre em meio a divergências dentro do governo federal. Uma ala, liderada pelo Ministério de Minas e Energia e pela própria Petrobras, defende a urgência da autorização para exploração na Margem Equatorial, apontando o potencial energético da área. A outra, ligada ao Ibama, defende que todos os ritos sejam devidamente respeitados, a fim de garantir a segurança ambiental do projeto.