De acordo com a publicação, essas estruturas "são a base da vida civil no Irã" e sua destruição causaria sofrimento generalizado à população civil, se configurando um crime de guerra sob o direito internacional. Repetidamente, Trump afirmou que poderia levar o país "de volta à Idade da Pedra" caso não houvesse concessões por parte de Teerã.
Em postagens recentes, o presidente também indicou explicitamente os alvos caso o Irã não aceite as condições impostas pelos Estados Unidos, como a reabertura do estreito de Ormuz. "Terça-feira será o dia das usinas de energia e das pontes", disse nas redes sociais, sinalizando um endurecimento dos ataques intencionais sobre instalações civis.
Especialistas ouvidos pelo The New York Times destacam que ataques deliberados contra infraestrutura civil violam acordos internacionais como as Convenções de Genebra e a Carta das Nações Unidas. O jornal ressalta ainda que, historicamente, presidentes norte-americanos evitavam declarações públicas que pudessem indicar intenção de violar essas normas.
A publicação aponta que esse tipo de retórica pode ter efeitos amplos, tanto no fortalecimento da narrativa do governo iraniano quanto no enfraquecimento das regras internacionais que buscam proteger civis em conflitos armados.
"A destruição de infraestrutura e o aumento de vítimas civis reforçam a narrativa de que esta é uma guerra contra a nação, não apenas contra seus governantes", pontua a publicação.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as ameaças dos Estados Unidos de atacar instalações energéticas iranianas constituem uma "admissão de crimes de guerra".
"O ministro das Relações Exteriores do Irã, ao mencionar as ameaças dos EUA de atacar instalações energéticas iranianas, classificou essas declarações como uma clara admissão de cometimento de crimes de guerra", aponta comunicado divulgado pela pasta após uma conversa telefônica entre Araghchi e o chanceler russo, Sergei Lavrov.
O ministro também pediu que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenem imediatamente os ataques dos EUA a instalações iranianas. Segundo Teerã, Washington tem atingido infraestrutura industrial, energética, educacional, médica e nuclear do país desde o início da operação militar.