O especialista destacou que ter armas testadas "em situações reais" permitirá que a Colômbia venda fuzis para seus vizinhos da região. O novo fuzil está sendo desenvolvido pela empresa estatal Indumil e substituirá o fuzil Galil, projetado por Israel e usado por militares colombianos nas últimas três décadas.
A fabricação do primeiro fuzil colombiano foi anunciada há meses, mas nos últimos dias o presidente colombiano, Gustavo Petro, oficializou que a arma levará o nome Jaguar, após descartar batizá-la com a ideia inicial do mandatário, que havia proposto chamá-la de "Miranda" em homenagem ao militar venezuelano Francisco de Miranda.
"A intenção do Ministério da Defesa é solicitar à Indumil a produção de 120 mil unidades para iniciar a substituição gradual dos fuzis Galil. O Jaguar agora entra em uma fase de testes em que o fuzil é entregue à Polícia, à Marinha e ao Exército para que, durante aproximadamente seis meses, sejam submetidos a testes em campo", explicou o especialista.
De acordo com informações do governo colombiano, o novo fuzil é fabricado com 65% de polímero de alta resistência, o que o torna mais leve que o Galil, feito com 70% de aço.
"Tive a oportunidade de ter um Jaguar nas mãos e é um fuzil extremamente leve", afirmou Saumeth, explicando que, por ser usado principalmente em áreas de selva da Colômbia, armas mais pesadas acabam sendo problemáticas para os militares.
O analista indicou, ainda, que a Indumil fabricará três versões do fuzil: uma compacta, uma padrão e outra tática, com comprimentos de cano de 8, 13 e 18 polegadas, respectivamente. O calibre 5,56x45 milímetros é do mesmo padrão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Apoiar o desenvolvimento com vendas
A maioria dos componentes é colombiana, mas a Indumil ainda precisa resolver a fabricação dos canos dos fuzis, já que atualmente não tem capacidade industrial para produzi-los. A empresa é responsável por toda a fabricação dos Galil, exceto o cano, que é importado de Israel.
Saumeth indicou que o governo colombiano deverá decidir se recorre novamente à importação dos canos — que, neste caso, viriam da Turquia — ou investe na compra de uma marteladora, máquina utilizada para a fabricação de canos. Se optar por esse caminho, alertou o analista, deverá garantir uma produção mínima razoável de unidades.
Embora o governo colombiano preveja aquisição de cerca de 400 mil fuzis desse tipo, Saumeth lamentou que o entusiasmo por desenvolvimentos militares próprios muitas vezes não é acompanhado por compras em larga escala por parte das forças de segurança.
Na verdade, a Indumil anunciou em março de 2026 redução no preço comercial das pistolas Cordova, outro de seus produtos emblemáticos, devido a problemas financeiros decorrentes de atrasos administrativos na venda de armas pelo Estado colombiano.
"Precisamos que, se a Colômbia está produzindo pistolas, como é o caso da Córdova, a Força Pública as adquira em grandes quantidades, como ocorre no resto do mundo. Isso também acontece com o fuzil: se ele vai ser produzido, que seja adquirido pelo Exército colombiano", destacou Saumeth.
Exportações à vista
A necessidade de sustentar os desenvolvimentos próprios com grandes vendas também pode levar a Colômbia a buscar colocar seu novo fuzil Jaguar em outros países da região, sobretudo, pelo fato de muitas forças de segurança do continente estarem em pleno processo de renovação de seus fuzis, destacou Saumeth.
Saumeth lembrou que a Colômbia "já exportou alguns de seus sistemas de defesa fabricados no país" para países latino-americanos.
Nessa lista constam as lanchas patrulheiras LPR-40 desenvolvidas pela estatal colombiana Cotecmar, que foram exportadas para o Brasil em 2014, ou os 8 mil fuzis Galil colombianos para a Guatemala em 2019. Segundo ele, uma vez fabricado massivamente, o fuzil pode ser exportado para países da América Central ou até mesmo do Cone Sul.
Para o analista, a Colômbia tem a experiência de um conflito armado interno que obriga suas Forças Armadas a colocar em uso seus próprios desenvolvimentos.
"Os meios e sistemas usados pela força pública colombiana são constantemente empregados em situações reais de combate. Aqui não se trata de desfilar com eles e treinar; aqui eles são usados em operações reais de combate", ilustrou Saumeth.
Nesse sentido, o especialista acrescentou que será o próprio uso do Jaguar pela Polícia, pelo Exército ou pela Infantaria Marinha da Colômbia que colocará à prova sua eficácia.