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Agro brasileiro pode alimentar o mundo, diz Tereza Cristina, em meio a crise em Ormuz

A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta quarta-feira (8) que o Brasil tem condições de ampliar rapidamente a produção de alimentos e se consolidar como principal fornecedor global em meio à guerra no Oriente Médio, que pressiona custos.
Sputnik
Durante o Seminário LIDE Agronegócio, em São Paulo (SP), ela afirmou que o Brasil é uma potência global no setor, com safra de 80 milhões de toneladas e exportações que somaram US$ 169 bilhões em 2025 — quase metade do total exportado pelo país.
O Brasil lidera a produção mundial em diversos segmentos, como algodão, carne bovina e soja, entre outros, segundo ela.
"Temos condições de seguir como principal ofertante do mundo, capazes de suprir a demanda global", declarou. "Podemos, de forma rápida, ampliar a produção de alimentos com sustentabilidade."
Segundo a ex-titular do Ministério da Agricultura, o agronegócio brasileiro também tem potencial para atender à crescente demanda por bioenergia.
"Trata-se de um setor capaz de conciliar a garantia da segurança alimentar com a produção de biocombustíveis."
A produção de bioenergia, acrescentou, torna-se ainda mais relevante diante das instabilidades geopolíticas atuais. "Esse tema é fundamental, sobretudo neste momento em que enfrentamos instabilidades provocadas pela guerra no Oriente Médio."

"O fechamento do estreito de Ormuz — que espero que seja reaberto rapidamente, para o bem do mundo — afeta cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente."

Ela alertou ainda que, "mesmo que a guerra termine hoje, os efeitos negativos deverão perdurar por meses e anos".
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Heitor Cantarella, diretor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), afirmou à Sputnik Brasil que o agronegócio brasileiro enfrenta vulnerabilidades estruturais relacionadas à dependência de insumos importados, em meio aos conflitos no Oriente Médio, que afetam cadeias globais de abastecimento.

"O agronegócio brasileiro é altamente dependente de algumas matérias-primas que passam pelo estreito de Ormuz, então a guerra afeta o fornecimento, principalmente, de fertilizantes, mas também de petróleo, que tem um papel importante na agricultura."

Segundo ele, a atual conjuntura já começa a pressionar custos em diferentes regiões do país, especialmente em um momento de colheita em diversos estados.

"A gente está vendo aqui que tem muitos estados que estão colhendo as suas safras, e o óleo diesel é um insumo importante. Os preços de óleo diesel aumentaram bastante, e a gente viu alguns problemas localizados, mas os preços subiram muito."

Ele destacou que a agricultura depende fortemente de uma cadeia ampla de insumos, incluindo fertilizantes, óleo diesel e agroquímicos, e avaliou que, embora ainda não haja impacto significativo sobre preços ou disponibilidade, efeitos no médio prazo são prováveis.

"Então a agricultura é muito dependente de vários insumos de fertilizantes, de óleo diesel, de agroquímicos. A gente não viu isso ainda porque são produtos muito caros e ainda não houve efeito sobre o preço ou a disponibilidade. Mas a gente pode antever que no médio prazo isso pode acontecer também."

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