Segundo a publicação, o dente da foca-cinzenta foi descoberto em 1867 pelo arqueólogo William Pengelly. Inicialmente, o dente foi erroneamente identificado como um dente de texugo ou lobo.
No entanto, uma análise usando técnicas de imagem, incluindo análise de superfície 3D e tomografia por microcomputador, mostrou que o dente pertencia a uma foca-cinzenta macho, que tinha aproximadamente 12 anos no momento da morte.
"Após a remoção, que provavelmente exigiu uma fratura da mandíbula do animal, o dente foi cuidadosamente tratado. Sua raiz foi desbastada e polida, e um furo foi feito com uma ferramenta de sílex para permitir que fosse usado como pingente", diz a publicação.
Pingente de dente de foca-cinzenta de 15 mil anos encontrado na Inglaterra
© Foto / The Trustees of the Natural History Museum
Segundo o estudo, o pingente pertence ao Paleolítico Superior tardio, ou seja, à cultura Magdaleniana, o auge da arte e do comportamento simbólico na Europa, afirmaram os arqueólogos.
Um dos aspectos mais marcantes desse achado é sua localização. Durante a Idade do Gelo, o sítio de Kents Cavern estava localizado a mais de 100 quilômetros da costa mais próxima. Isso levanta uma questão importante: como o dente de um animal marinho foi parar tão longe do mar?
De acordo com os pesquisadores, esse pingente é uma evidência de que os povos pré-históricos se deslocavam por longas distâncias e realizavam trocas comerciais e culturais.
"O estudo revela paralelos com achados arqueológicos na Espanha e na França, onde restos de mamíferos marinhos e joias foram descobertos longe das áreas costeiras", diz o material.
Esses dados indicam a possibilidade de existência de redes de intercâmbio que se estendiam por centenas de quilômetros durante a Idade do Gelo, concluíram os autores da publicação.