Na visão de Salameh, enquanto o sistema de pedágio de Ormuz puxa o yuan e as stablecoins da China, desbastando o domínio do petrodólar, a estratégia dos EUA contra o Irã já havia falhado miseravelmente muito antes.
"O Irã evitou as sanções dos EUA ao exportar cerca de 1,5 a 1,7 milhão de barris por dia, dos quais 90% foram para a China, pagos em grande parte em yuans ou por meio de acordos de permuta, com recursos conversíveis em ouro", ressaltou.
O analista destacou que a abordagem do Irã se alinha a um impulso mais amplo do BRICS em direção à liquidação do comércio em moedas nacionais, em vez do dólar.
Os países do BRICS estão liderando a aceleração da desdolarização global, realizando 90% do comércio entre China, Rússia e Índia em moedas nacionais.
"Pode-se argumentar que os EUA visaram a infraestrutura e energia do Irã para conter suas exportações de petróleo, especialmente para a China, e interromper os sistemas alternativos de pagamento. No entanto, essa visão ignora a dinâmica energética básica", acrescentou.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha pressionado para que o preço do Brent ficasse entre US$ 40 (R$ 204,6) e US$ 60 (R$ 306,86), qualquer ataque à infraestrutura energética do Irã resultaria em retaliação no Golfo, apertando a oferta e potencialmente elevando o preço do Brent para entre US$ 150 (R$ 767,16) e US$ 200 (R$ 1.022,88).
Dessa forma, o analista concluiu que após esses processos os Estados Unidos vão se tornar o maior perdedor do mundo.
No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã, e informaram sobre a destruição e a morte de civis. O Irã, por sua vez, retaliou contra o território israelense, bem como contra alvos militares dos EUA na região do Oriente Médio.
Na terça-feira (7), Trump afirmou que os EUA e o Irã haviam concordado com um cessar-fogo de duas semanas. De acordo com ele, os Estados Unidos receberam uma proposta de dez pontos do Irã, que pode servir de base para as negociações.
Em resposta, o Irã declarou vitória na guerra com os Estados Unidos, que aceitaram a proposta de Teerã. De acordo com o lado iraniano, Washington concordou em deixar o controle do estreito de Ormuz para Teerã, pagar uma indenização, suspender as sanções e permitir que o Irã continue enriquecendo urânio, além de retirar tropas do Oriente Médio.
As negociações com os Estados Unidos começarão na sexta-feira (10) em Islamabad, capital do Paquistão. Teerã destinou duas semanas para todo o processo de negociação, durante o qual será estabelecido um cessar-fogo. Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança do Irã ressaltou que o processo de negociação com os Estados Unidos não significa o fim da guerra contra eles.