De acordo com o South China Morning Post, informações repassadas por Washington e Islamabad preocuparam os seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que temem que um acordo de paz possa comprometer sua segurança a longo prazo e afetar seus planos de diversificação econômica antes da transição global para energias renováveis.
As apreensões, antes tratadas discretamente, tornaram-se mais explícitas desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Emirados Árabes Unidos (EAU) e Kuwait têm sido os mais vocais ao expressarem frustração por se sentirem marginalizados. Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, a diplomacia dos emirados afirmou publicamente que não aceitará nada menos que uma abordagem "abrangente" que trate do programa nuclear iraniano, de seus mísseis balísticos e do apoio a grupos armados.
O conselheiro dos EAU, Anwar Gargash, reforçou o tom, dizendo que a "era das cortesias passou" e que a franqueza é agora necessária. A declaração coincidiu com o primeiro contato telefônico entre os chanceleres de Arábia Saudita e Irã desde o início do conflito, após conversas separadas com o ministro paquistanês Ishaq Dar, segundo a apuração.
Arábia Saudita, Catar e Omã apoiam os esforços do Paquistão para encerrar o conflito, enquanto Emirados, Kuwait e Bahrein demonstram maior pessimismo.
Apesar das diferenças, analistas que falaram à mídia asiática apontam três preocupações centrais compartilhadas por todos: um Irã enfraquecido porém ainda ameaçador, o controle iraniano sobre o estreito de Ormuz e a manutenção de suas capacidades militares e de apoio a aliados regionais.
Segundo o pesquisador Ahmed Aboudouh, há risco de que todas essas preocupações se concretizem, já que os EUA estariam focados em prioridades próprias e iranianas, deixando de lado os interesses do golfo. Isso colocaria os países do CCG em posição delicada, com pouca margem para influenciar o acordo e vulneráveis a possíveis retaliações iranianas caso as negociações fracassem.
A historiadora Rowena Abdul Razak afirmou à mídia que, na prática, os Estados do golfo têm pouca influência sobre o confronto entre EUA e Irã. Mesmo sediando bases norte-americanas, não controlam seu uso e dificilmente abririam mão delas, pois são parte essencial de sua estratégia defensiva. Assim, resta-lhes tentar preservar relações com Teerã e manter a imagem de estabilidade regional.