"Outro problema é que, na prática, a ONU tem tido cada vez menos 'histórias de sucesso' nos últimos anos, enquanto crescem os casos em que não consegue demonstrar uma atuação construtiva", declarou Logvinov.
Segundo o diplomata, essa avaliação se aplica a diferentes cenários internacionais, incluindo a crise em torno da Ucrânia, a atual escalada no Oriente Médio, além de focos de tensão na África, América Latina e Ásia.
O diretor da chancelaria russa acrescentou que, em alguns casos, há falta de recursos, enquanto em outros há baixa efetividade na execução dos mandatos. No entanto, apontou como principal entrave a falta de disposição de países ocidentais para negociar e buscar soluções mutuamente aceitáveis nos assuntos internacionais.
Em artigo publicado pela mídia britânica no fim de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também criticou o enfraquecimento das regras multilaterais e acusou potências de agirem sem base na Carta da ONU, alertando que "um mundo sem regras é um mundo inseguro" e defendendo uma reforma urgente do sistema internacional.
O presidente Lula afirmou, em artigo publicado pelo The Guardian, que a ordem internacional vive um momento de crescente instabilidade devido ao enfraquecimento das regras multilaterais e à paralisia do Conselho de Segurança da ONU (CSNU).
Segundo o jornal, Lula alertou que "um mundo sem regras é um mundo inseguro", defendendo que a ausência de limites claros ao uso da força tem aberto espaço para sucessivas violações do direito internacional.
De acordo com o artigo, Lula argumentou que conflitos recentes se multiplicam porque as potências com poder de veto atuam "sem qualquer fundamento na Carta da ONU", deixando um rastro de destruição e minando a credibilidade das instituições multilaterais. Para ele, a falta de ação do Conselho de Segurança tem permitido que intervenções e abusos se tornem recorrentes.