Segundo matéria do The Wall Street Journal, o impacto do bloqueio imposto pelos EUA ao estreito de Ormuz já é sentido com particular intensidade na Ásia, onde a escassez de combustível obrigou fábricas a reduzirem a produção e postos de gasolina a racionarem o abastecimento.
O setor da aviação também sofre com a falta de querosene de aviação, o que levou ao cancelamento de voos por companhias aéreas na Coreia do Sul e no Vietnã. Até mesmo indústrias manufatureiras, como a gigante japonesa Toto, suspenderam encomendas devido à escassez de nafta, um derivado do petróleo bruto essencial para a produção de plásticos e suprimentos médicos.
Da mesma forma, a publicação destaca que a situação na Europa é crítica, visto que o estreito de Ormuz era uma via navegável por onde passava um quinto do fluxo de petróleo europeu. A União Europeia (UE) está considerando medidas emergenciais, acrescentam, como o relaxamento das regras de subsídios e a coordenação das compras de gás para mitigar a estagnação econômica.
Enquanto isso, países como a Alemanha tiveram que reduzir drasticamente suas previsões de crescimento anual devido ao aumento dos custos de energia e às interrupções na cadeia de suprimentos.
A publicação afirma que os Estados do golfo Pérsico enfrentam sua pior crise em décadas devido ao conflito, à medida que sua reputação como centros seguros para negócios e turismo se desmorona.
Ainda de acordo com apuração, prevê-se contrações econômicas massivas em nações como Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, exacerbadas por danos à infraestrutura essencial, cujo reparo pode custar mais de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 124,64 bilhões). Eventos de grande repercussão, como corridas de Fórmula 1 e conferências de tecnologia, foram cancelados, impactando seu modelo de estabilidade regional.
Os Estados Unidos não estão imunes à crise que desencadearam, aponta o jornal. O aumento dos preços da gasolina está impactando diretamente o bolso dos consumidores, gerando considerável preocupação política às vésperas das eleições de meio de mandato.
O próprio presidente Donald Trump admitiu que é improvável que os custos de energia diminuam nos próximos meses, situação que aumenta a pressão sobre uma economia que já enfrenta crescimento próximo de zero e aumento do desemprego.
Especialistas alertam à mídia que as consequências econômicas serão duradouras, mesmo que a guerra iniciada pelos EUA e Israel termine em curto prazo. O jornal prevê que os preços do petróleo bruto não retornarão aos níveis pré-guerra até pelo menos o final de 2027, devido a atrasos no transporte marítimo e danos estruturais.