Panorama internacional

'Embraer tem muito a ganhar com o uso de sua tecnologia na Colômbia', diz analista (VÍDEOS)

A Embraer e a Corporação Colombiana da Indústria Aeronáutica (CIAC) assinaram recentemente um memorando de entendimento, em evento no Chile. O documento também prevê a transferência de tecnologia aos colombianos. Dessa forma, a empresa brasileira, que vem diversificando suas parcerias comerciais, reforça sua presença no mercado da América Latina.
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Nesse contexto, o Brasil, com essa aproximação com a Colômbia, pode adquirir conhecimentos técnicos por validar sua produção em um território parecido com o seu, mas com uma grande demanda por itens de defesa, conforme explica Pedro Martins, doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em entrevista à Sputnik Brasil.

"A Embraer pode aprender como os colombianos manejam e usam os equipamentos militares, já que o país sempre teve uma situação peculiar em defesa e segurança na América do Sul e situações como essa, fazem com que a doutrina e o uso dos equipamentos sejam adaptados para essas particularidades", disse.

O internacionalista ressalta que Bogotá possui um dos maiores orçamentos militares da região devido a desafios internos de segurança, como o combate às FARC. Uma vez que o Brasil não vivenciou cenários semelhantes, a Embraer pode aproveitar esse intercâmbio para evoluir não apenas em peças e aeronaves, mas também em sistemas de defesa integrados.

"A Colômbia, durante muitos anos, foi assolada pela guerra civil, com as FARC, ELN, e outros grupos dissidentes. O uso de tecnologia, não no sentido de peças, mas sim, em experiência, em situações de combate e no manejo da própria equipe [colombiana] de pilotagem, pode trazer um grande conhecimento à Embraer", comenta.

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Colômbia pode ser uma espécie de 'hangar brasileiro'

Para Martins, essa aproximação entre os países vizinhos pode ser benéfica também para a expansão comercial brasileira na aviação devido ao acesso que a Colômbia acaba ofertando devido à sua proximidade geográfica com outros países da parte setentrional sul-americana e por outras nações latino-americanas.

"A Colômbia é um país sul-americano com uma costa no Caribe e a fábrica da Embraer fica em Gavião Peixoto, no sudeste do Brasil, que é distante da própria Colômbia. Ou seja, se estabilizando no mercado colombiano, é possível abrir um mercado nas Américas para Embraer e chegar a outros países da região, o que é muito promissor", analisa.

O especialista também aponta que outro aspecto positivo seria a consolidação no mercado regional, uma vez que a companhia nacional que já tem uma grande presença nesse nicho poderia se expandir na parte norte de seu subcontinente.

"A Embraer é líder em aviões regionais, mas ainda não é um grande player em aviação intercontinental. Então, é possível que ela consiga operar dentro da Colômbia e, a partir dela, viajar ao Peru e abrir mercados no norte da América do Sul, no litoral do Pacífico. A Embraer também produz jatinhos executivos, o que pode criar mais possibilidades", discorre.

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Martins também destaca que a pressão exercida pelos EUA na América Latina levou a Colômbia, então tradicional parceira da Casa Branca que se afastou politicamente de Washington sob o governo Petro, a buscar novos horizontes.
Nesse contexto, o memorando assinado entre os países, embora seja juridicamente um protocolo de intenções, ressalta a busca colombiana por alternativas em setores estratégicos que não passem, necessariamente, pelos norte-americanos.

"Politicamente, a análise muda de figura. Esse tipo de cooperação exige um relacionamento institucional e bilateral sólido entre os governos. O que não vem ocorrendo entre Colômbia e EUA. Mas as necessidades de defesa da Colômbia permanecem e isso a faz se aproximar da Embraer, que é de um país próximo e com tecnologia adaptável para a realidade colombiana", conclui.

O setor aéreo, por ser estratégico e exigir expertise voltada ao segmento de defesa, é de crucial importância tanto econômica quanto técnica. Nesse sentido, a exportação de tecnologia torna-se um ativo para o país de origem, especialmente pelo conhecimento adquirido com o uso de seus produtos no exterior.
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