"Se a OTAN ensinar algo aos EUA, é que devemos contar conosco mesmos", declarou durante um evento do movimento conservador Turning Point, no estado do Arizona.
O presidente voltou a criticar os parceiros da aliança militar, afirmando que países membros não apoiaram os Estados Unidos em uma operação contra o Irã. "Não podemos depender de outros países e de fontes externas", reforçou.
As declarações ocorrem após Trump já ter sinalizado, em entrevista à mídia europeia no início do mês, que avalia seriamente a possibilidade de retirar os Estados Unidos da OTAN, diante da falta de apoio do bloco em ações militares recentes. Na ocasião, o líder norte-americano também denominou a entidade de "tigre de papel".
"Eu nunca acreditei na OTAN. Eu sempre soube que eles eram um tigre de papel – e [Vladimir] Putin sabe isso também, a propósito", observou Trump, todavia acrescentando que a recusa da OTAN em ajudar os EUA foi "difícil de acreditar". "Eu acho que isso deve ser automático", explicou ele.
Impactos da guerra no Irã
Já o analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, afirmou neste mês que, de fato, os EUA acabaram com a OTAN e se afastaram dos países árabes em meio ao conflito no Irã.
"Foi um enorme erro estratégico [...]. O mundo inteiro mudou. Eu diria que esse evento marcou o fim do império [...]. A OTAN praticamente deixou de existir", ressaltou.
Segundo o analista, Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, discutiram a retirada de 100.000 militares do continente europeu e a necessidade de uma abordagem seletiva na escolha de quem Washington apoia.
Nesse contexto, o especialista militar salientou que tal nova abordagem marca o fim da defesa coletiva no contexto da OTAN. Ao mesmo tempo, Ritter apontou que um mês e meio de acontecimentos no Irã conseguiu anular 40 anos de esforços dos EUA para conquistar aliados pelo mundo.