Anteriormente, acreditava-se que as oficinas de cerâmica na Europa medieval só podiam ser encontradas nas grandes cidades. No entanto, as descobertas no povoado de Wurenlingen surpreenderam os arqueólogos.
De acordo com a publicação, durante trabalhos de construção em um povoado suíço, foram encontrados, por acaso, os restos de um forno de cerâmica e mais de 11 mil fragmentos de cerâmica doméstica.
Restos arqueológicos de forno horizontal com câmara de queimadura, na Suíça
© Foto / Cantonal Archaeology Aargau
"A maioria deles são cerâmicas cotidianas, mas também há fragmentos de telhas de forno, formas e uma estatueta de argila elaborada de um cavaleiro", diz o material.
O forno em si tinha um comprimento de cerca de 2,6 metros, e a câmara de combustão tinha uma forma de pera, afunilando-se em direção à fornalha. Os restos de vários pisos do forno e fragmentos da estrutura em forma de cúpula indicam um uso repetido por um longo período de tempo.
Figura de um cavaleiro a cavalo descoberta em uma oficina de cerâmica medieval, na Suíça
© Foto / Cantonal Archaeology Aargau
Os arqueólogos conseguiram estabelecer que esta produção de cerâmica não era nem secundária nem improvisada. Pelo contrário, parecia ser organizada, sustentável e economicamente viável.
Assim, os arqueólogos chegaram à conclusão de que a zona rural na Europa medieval, no território da Suíça moderna, não era tão fortemente dependente da economia urbana, mas, pelo contrário, poderia ter seu próprio sistema desenvolvido de comércio e produção.
Molde de cerâmica em forma de prato com motivo de rosa de cinco pétalas
© Foto / Cantonal Archaeology Aargau
A cerâmica descoberta confirma ainda mais essa mudança de visão da economia medieval. A qualidade e a variedade dos produtos cerâmicos encontrados são comparáveis aos produtos urbanos do mesmo período, sugerindo que os artesãos rurais não eram apenas competentes, mas também competitivos.