Segundo o diplomata, as novas abordagens doutrinárias da França lembram, em muitos aspectos, o modelo de "dissuasão nuclear estendida" adotado por Washington na região Ásia-Pacífico, além de postularem abertamente planos de atuar como "apoio às missões nucleares conjuntas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)".
"Tais medidas se encaixam no padrão geral de atividades militar-nucleares provocativas dos países da OTAN, direcionadas contra nosso país. O Reino Unido já havia anunciado anteriormente o aumento de suas capacidades nucleares, também sob slogans antirrussos. Isso, por si só, leva a uma escalada da corrida armamentista, o que não apenas é incompatível com os objetivos do TNP, como também contradiz diretamente suas obrigações", declarou.
Grushko acrescentou que as autoridades francesas apresentam a situação como se a atualização de sua doutrina de "dissuasão nuclear avançada", que inclui o abandono da transparência sobre o número de ogivas nucleares e a possibilidade de sua implantação em territórios de outros países da União Europeia e da OTAN, reforçasse a segurança da França e de seus aliados.
"Na realidade, trata-se de mais um golpe contra a segurança regional e global, gerando riscos estratégicos adicionais e incentivando uma nova corrida armamentista nuclear", concluiu.
No fim de semana, o vice-chanceler disse que, ao atualizar a lista de alvos prioritários em caso de conflito, as autoridades militares russas serão obrigadas a levar em conta as intenções da França de implantar armas nucleares no território de países europeus que não possuem este tipo de armamento.
Grushko observou que, dada a capacidade anunciada das forças nucleares francesas de se dispersarem para instalações em países europeus não nucleares, de onde poderiam continuar suas atividades operacionais, há um aspecto que requer atenção especial.
"Obviamente, nossas forças armadas serão obrigadas a prestar muita atenção a essa questão ao atualizar a lista de alvos prioritários em caso de um conflito sério", disse na ocasião.
Em seu discurso de março sobre a política de dissuasão nuclear da França, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que seu país deve fortalecer sua doutrina nuclear diante das novas ameaças. Por isso, o presidente francês ordenou um aumento no número de armas nucleares francesas, estimado atualmente em 280 ogivas.