Em comunicado publicado nas redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano não mencionou nominalmente o agente, mas afirmou que sua conduta representou uma tentativa de "manipular" o sistema migratório dos Estados Unidos.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração, seja para contornar pedidos formais de extradição, seja para estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje solicitamos que o funcionário brasileiro envolvido deixe nosso país por tentar fazê-lo", diz a nota.
O nome do delegado, no entanto, foi divulgado pela TV Globo como Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF na Flórida e colaborava com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE, na sigla em inglês).
A medida ocorre em meio à prisão de Ramagem em Orlando na última semana por questões migratórias. Após dois dias sob custódia das autoridades migratórias, o ex-deputado federal foi liberado e retornou ao seu domicílio.
Segundo relatos, ele estava com o visto de turista expirado, o que motivou o procedimento, considerado comum pelas autoridades locais. A repercussão política do caso também envolveu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que agradeceu publicamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pela "sensibilidade" no tratamento do caso.
Ramagem foi condenado em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe e organização criminosa. Ele segue nos EUA desde setembro de 2025, após deixar o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem havia sido eleito deputado federal em 2022, mas teve o mandato cassado em dezembro, após decisão da Corte.