O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru, Piero Corvetto, renunciou ao cargo nesta terça-feira (21) em meio a críticas pelas irregularidades nas eleições gerais do último dia 12 e à demora na divulgação dos resultados. Em carta enviada à Junta Nacional de Justiça (JNJ), ele pediu que sua saída "seja aceita em um breve prazo".
Corvetto afirmou que considera "necessária e urgente" sua escolha de sair, explicando que a decisão busca permitir que o segundo turno presidencial ocorra de maneira confiável. Ele também declarou, de forma indireta, que espera que sua saída contribua para restaurar a credibilidade do processo eleitoral.
"Considero necessário e inadiável renunciar à responsabilidade que me foi atribuída, no interesse de que se organize e realize o segundo turno da eleição presidencial em um contexto de maior confiança cidadã no ONPE."
Ao comentar as falhas registradas no pleito, o ex-dirigente apontou que os problemas na distribuição de material eleitoral em Lima foram de caráter técnico e operacional e disse, de forma direta, que se colocará à disposição das autoridades para esclarecer as irregularidades identificadas.
A renúncia ocorre poucas horas antes de seu depoimento ao Ministério Público, que investiga possíveis irregularidades no processo, incluindo suspeitas de interferência no direito ao voto.
As eleições foram marcadas por atrasos na apuração — que já se estendem por quase uma semana — e por falhas logísticas que impediram a abertura de seções eleitorais no horário previsto, afetando milhares de eleitores e levando à prorrogação inédita da votação. A Junta Nacional Eleitoral classificou os problemas como técnicos, enquanto a missão de observação da União Europeia apontou "sérias deficiências", embora sem identificar evidências de fraude.
A incerteza sobre os resultados também persiste. A secretária-geral do órgão eleitoral, Yessica Clavijo, afirmou que a previsão é que os dados presidenciais sejam conhecidos apenas "por volta de meados de maio", o que é necessário para definir a realização do segundo turno. Segundo ela, o atraso se deve à revisão das atas contestadas conduzida pelos jurados eleitorais espalhados pelo país.
Clavijo ressaltou ainda, de forma indireta, que o trabalho segue em ritmo intenso para dar clareza sobre quais candidaturas poderão disputar o segundo turno, destacando o esforço contínuo das autoridades eleitorais na análise dos votos.