Panorama internacional

'Desprezo total': a política migratória dos EUA tira vidas e abre outra frente com o México

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, um total de 46 pessoas morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês). Dessas, 15 eram de origem mexicana.
Sputnik
De acordo com as autoridades mexicanas, por meio da chancelaria, o país enviou uma série de notas diplomáticas ao governo dos Estados Unidos para exigir o esclarecimento dos casos de mexicanos que morreram durante ou após a detenção.
No entanto, segundo a própria presidente Claudia Sheinbaum, o governo Trump não forneceu nenhuma informação a respeito e indicou que poderá recorrer a instâncias internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Organização das Nações Unidas (ONU), para expor os fatos.
Além disso, a chancelaria do país latino-americano instruiu o corpo diplomático a visitar diariamente os centros do ICE e prestar assistência aos cidadãos detidos, além de oferecer orientação jurídica às famílias dos falecidos.
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Desprezo total pela vida dos migrantes

O número de mortos sob custódia dos EUA reflete "um desprezo total pela vida dessas pessoas" e, ao mesmo tempo, é um grande negócio para alguns poucos, afirmou em entrevista à Sputnik o doutor em Ciência Política, Tomás Milton Muñoz.
Muñoz ressaltou que as mais de 70 mil pessoas que se encontram em centros de detenção são um "grande negócio", pois cada migrante custa cerca de US$ 160 por dia (R$ 890), pago a uma iniciativa privada.
A doutora em Políticas Públicas e especialista em migração, Eunice Rendón, avaliou que a prioridade dos agentes do ICE — cujo número dobrou desde o retorno de Trump — é atingir uma meta de detenções.
"Parece mais uma questão de cumprir uma cota diária de detenções, e não importa quem seja detido, mas sim alcançar esses 3 mil detidos por dia, e os números falam por si só", disse ela.
Ex-diretora do Instituto dos Mexicanos no Exterior, ela afirmou que a atuação dos agentes do ICE não está de acordo com as leis nem com os protocolos, já que houve casos que resultaram na morte de pessoas por uso excessivo da força, quando 70% dos detidos não possuem nenhum antecedente criminal.
"Parece que há um perfil racial sendo buscado, além de uma prioridade numérica", concluiu.
Sobre a possibilidade de o México levar o caso dos migrantes à CIDH, ambos os especialistas concordaram que a ação é simbólica sem consequências diretas para os EUA.
Muñoz explicou que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos é um mecanismo que emite apenas recomendações não vinculantes. Ele defendeu que o México defenda a comunidade migrante por meio de sinergias com organizações migrantes que atuam em campo, do fortalecimento do corpo consular e construção de alianças com consulados de outros países afetados.
"É necessário ter um contato mais próximo com as próprias comunidades, não apenas de mexicanos nos Estados Unidos, mas também de outras nacionalidades, para poder desenvolver estratégias conjuntas", afirmou Muñoz.
Já Rendón destacou que recorrer à CIDH é relevante para expor esses abusos ao mundo, apesar do "desdém" de Donald Trump aos organismos internacionais, pois decisões judiciais já conseguiram barrar algumas das medidas do mandatário estadunidense.
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