Ciência e sociedade

Anéis externos de Urano revelam pistas de luas ocultas e composições surpreendentes (IMAGEM)

Novas observações dos anéis externos de Urano revelaram que eles são ainda mais enigmáticos do que se pensava, indicando fenômenos incomuns no sistema de luas do planeta. Um dos anéis sugere, inclusive, a existência de luas adicionais ainda não descobertas, além das 29 já conhecidas.
Sputnik
Os anéis uranianos, bem diferentes dos brilhantes anéis de Saturno, foram identificados apenas em 1977, quando bloquearam a luz de estrelas durante ocultações estelares. A Voyager 2 registrou as primeiras imagens em 1986, e observações posteriores do Hubble e dos telescópios Keck elevaram o total para 13 anéis, incluindo os dois mais externos, mu e nu, descobertos entre 2003 e 2005.
Esses dois anéis chamam atenção por suas cores contrastantes: o anel mu apresenta tonalidade azulada, enquanto o anel nu é avermelhado. As cores revelam diferenças de composição — partículas de gelo muito pequenas no primeiro e poeira rica em compostos orgânicos no segundo —, mas suas origens permaneciam um mistério.
A imagem do Telescópio Espacial James Webb captura com perfeição a calota polar norte sazonal de Urano, incluindo a calota interna brilhante e branca e a faixa escura na base da calota polar, seus anéis internos e externos (mais tênues) e 9 das 27 luas do planeta, os pontos azuis que circundam os anéis
A combinação de novos dados infravermelhos do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) com registros anteriores permitiu produzir o primeiro espectro de refletância completo dos anéis. O resultado confirmou suas cores e forneceu pistas sobre a composição e a formação dessas estruturas, ajudando a reconstruir a história do sistema uraniano.
O espectro mostrou que o anel mu é composto por gelo de água, semelhante ao anel E de Saturno, alimentado pelo criovulcanismo de Encélado. Em Urano, as partículas parecem vir de Mab, uma pequena lua de 12 km de diâmetro, cuja composição gelada contrasta com a natureza mais rochosa das demais luas internas.
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Já o anel nu contém 10% a 15% de compostos orgânicos ricos em carbono, típicos das regiões frias do Sistema Solar externo. Acredita-se que ele seja alimentado por poeira expelida por pequenas luas ainda não identificadas, que orbitam entre as luas internas já catalogadas.

Há indícios de que o anel mu esteja variando sutilmente de brilho, mas a causa permanece desconhecida. Dada a pequena dimensão e o brilho fraco das luas envolvidas, os cientistas afirmam que apenas imagens de alta resolução poderão esclarecer esses enigmas.

Uma futura missão a Urano, considerada prioridade no mais recente Levantamento Decenal da Academia Nacional de Ciências dos EUA, pode finalmente revelar a origem e a evolução desses anéis e das luas ocultas que parecem alimentá-los — desde que receba financiamento para sair do papel.
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