"Eu acho que [os EUA] passam uma sinalização ao governo Lula muito clara, de que podemos ser pragmáticos até a eleição e até a disputa eleitoral podemos ter uma convivência razoável, mas não sou seu aliado. As forças aliadas do governo Trump são outras", disse.
"Esse tipo de mensagem [simbólica dos EUA ao retirar as credenciais do delegado da PF], o governo Lula já sabe e isso não faz muita diferença e eu não acho que o governo foi pego de surpresa", comenta.
"Essa troca de serviço [cooperação policial internacional] sempre foi politizada em desfavor nosso. Os EUA não estão aqui para prender traficantes, e sim controlar todo o processo. Esse episódio, no meu entendimento, foi uma sinalização clara para grupos de direita no Brasil", observa.
Lula mais enfático e Trump mais 'calado'
"O Brasil não é um sparring tão grande e esse caso não seria suficiente para ele abafar outras crises e, sim, abriria mais um flanco de problemas [a Trump] além da guerra contra o Irã. Também há o fato de que toda vez que ele foi para o enfrentamento contra Lula e Claudia Sheinbaum do México, ele se saiu pior", destaca.
"Se Trump continuasse a dar aquelas declarações explosivas e aplicar penalidades tarifárias, isso reuniria a esquerda e a situação ficaria para a direita e para os pró-americanos. Mas os EUA não vão deixar de participar da campanha [eleitoral]", discorre.
Brasil autônomo incomoda os EUA
"O Brasil é muito importante e seria o único país [da região] a reunir condições de desenvolver como os chineses por ter território, população, mercado e recursos naturais. Os EUA sempre tentam cercear esse processo. Ou seja, para eles, um Brasil bom é um Brasil submisso", conclui.