"O BNDES já colocou, desde 2023 até o começo desse ano, algo em torno de R$ 5 bilhões no apoio a projetos que envolvem IA. Isso envolve empresas como a Positivo e até aquelas que desenvolvem, por exemplo, novos fármacos na área de saúde. Além disso, o BNDES lançou um fundo, que está em fase inicial, para investir em startups ligadas à IA", disse.
"Obviamente, tem o PBIA, que é a política de inteligência artificial, que está embaixo da Nova Indústria Brasil como uma das nossas vertentes. O BNDES tem olhado com muita atenção as empresas que querem desenvolver tecnologias, sejam grandes ou pequenas. Isso é uma agenda prioritária, e a gente acredita que o setor produtivo brasileiro tem muito a ganhar com esse tipo de desenvolvimento", comenta.
"A gente tem que pensar que a economia tem que se digitalizar. Não é à toa que o governo lançou uma linha ligada à indústria 4.0. Para ganhar produtividade, para produzir melhor com menores custos e conseguir competir. O que posso dizer é: se o setor produtivo não entrar no mundo da digitalização, que inclui a IA, ele está fora do mercado", destaca.
Governo é importante para o avanço no setor de IA
"A qualquer momento, diante de um interesse comercial ou político conflitante, pode-se perder acesso à tecnologia. Esse é um dos problemas. A questão da IA é que ela automatiza o processo, aumenta as nossas possibilidades e a economia circula. Mas se esse dinheiro não fica no Brasil e vai para fora, passa-se a ter um 'feudalismo tecnológico', por mais que o esforço e o trabalho sejam feitos aqui no Brasil", discorre.
"O mais interessante é que o BNDES já enxergava isso [IA] de uma forma mais ampla. Na verdade, o momento que a gente passa é o de transformação digital, onde uma série de tecnologias vai moldar o nosso futuro. Incentivar uma indústria nacional a ter esses elementos é muito importante", observa.
Parceria via BRICS seria bem-vinda
"Eu acho que a parceria do Brasil com o BRICS é fundamental, onde se têm China, Índia e Rússia, países que têm condições muito similares às do Brasil. Por exemplo, em Skolkovo, que seria o 'Vale do Silício russo', já há um movimento [tecnológico] muito grande. Eu acho que a gente poderia tirar muitas lições a partir dessa cooperação", conclui.