O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que as hostilidades com o Irã "foram encerradas", após a adoção de um cessar-fogo no início de abril, embora tenha ressaltado que o país ainda representa uma ameaça significativa aos interesses americanos.
A declaração foi feita em carta enviada ao Congresso, no momento em que se encerrava o prazo de 60 dias previsto na Resolução de Poderes de Guerra para que o presidente solicitasse autorização legislativa para manter operações militares. Segundo Trump, como não houve novos confrontos desde 7 de abril, a regra não se aplicaria ao caso.
"As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas", escreveu o presidente em comunicações dirigidas ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley.
Apesar da afirmação, Trump indicou que a crise está longe de uma solução definitiva. No documento, ele afirmou que o Irã segue sendo uma "ameaça significativa" aos Estados Unidos e às suas Forças Armadas, enquanto o Pentágono mantém ajustes na presença militar na região.
Por outro lado, o Irã enviou na noite de quinta-feira (30) um novo texto do plano para resolver o conflito ao Paquistão, que está agindo como mediador nas negociações com os EUA. Embora os detalhes específicos do plano não tenham sido divulgados, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que "o fim do conflito e o estabelecimento da paz" são a prioridade do país. Os detalhes do plano foram passados pelos paquistaneses aos Estados Unidos.
Trump, no entanto, demonstrou insatisfação com a nova proposta apresentada por Teerã para encerrar o conflito. "O Irã quer fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito", afirmou a jornalistas na Casa Branca. Segundo ele, as exigências iranianas incluem pontos "que não podem ser aceitos".
A movimentação também ocorre em meio a questionamentos no Congresso sobre os limites do poder presidencial em ações militares. Trump chegou a afirmar que não pretende buscar autorização formal, argumentando que a exigência nunca foi aplicada por outros presidentes e classificando a legislação como inconstitucional.
Parlamentares, no entanto, contestam essa interpretação. O senador democrata Tim Kaine já indicou que o cessar-fogo não interromperia a contagem do prazo legal.