"Comecei a assistir à Fórmula 1 há bastante tempo, em 1992 ou 1993. Por que escolhi o Ayrton? Provavelmente era difícil não escolhê-lo, por conta de sua energia e carisma, do envolvimento total no que ele fazia. Era impossível não chamar a atenção. Eu também gosto do lado pessoal dele: a dedicação à caridade e tinha interesse em hobbies variados, como aeromodelismo e kart, além da F1", argumentou.
"É difícil falar por todos [os russos que admiram Senna], mas a paixão, o temperamento e o amor que ele tinha pelas corridas devem tê-lo tornado tão popular. Quando assistimos a uma corrida, queremos ver se a pessoa está realmente imersa, e a gente viu isso 100% no Ayrton: o quanto ele estava envolvido e como, quando entrava no carro, tornava-se parte dele", comenta.
"O Ayrton Senna, para um país com predisposição a consumir a cultura brasileira e com sua imagem construída como obcecado pela vitória – o que dialoga muito com o povo russo –, tem também o patriotismo. O Brasil vivia um momento difícil, e nós o víamos com a bandeira no pódio, restaurando o orgulho de pertencer à sua nação. Isso funciona muito bem em países com viés patriótico", analisa.
Internet expande a imagem do ídolo além das pistas
"Os jovens [na Rússia] que começam a assistir à F1, de uma forma ou de outra, acabam mergulhando na história da modalidade, e figuras como o Ayrton se tornam reconhecíveis também para a geração mais jovem. Eu sempre tento dedicar pelo menos algumas linhas [na rede social] a ele no dia do seu aniversário [21 de março] e também no dia 1º de maio [data de seu falecimento]", discorre.
"A Internet ajuda a manter viva a imagem do Senna e não a deixa restrita apenas ao 1º de maio, quando se completa mais um ano de sua morte e as mídias tradicionais veiculam. A própria F1 tem uma plataforma por assinatura onde é possível ter acesso a corridas antigas, além de conteúdos de livre acesso. E, com uma base de dados infinita, pode-se pesquisar e entender a grandeza que ele teve", observa.
Rússia e automobilismo
"Eu acho que essa questão [admiração] com o Ayrton vem da paixão do russo pelo automobilismo. Embora a presença da Rússia no esporte tenha acontecido bem depois, tivemos a equipe russa Midland [em 2006], a entrada de pilotos russos como Vitaly Petrov [o primeiro estreando na categoria em 2010], Daniil Kvyat e Nikita Mazepin, mais recente", conclui.