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Presidente do IBGE defende sistema nacional de dados para fazer frente a multinacionais

Marcio Pochmann também expôs as tendências demográficas para os próximos anos.
Sputnik
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, afirmou nesta segunda-feira (4) que a população brasileira deve começar a diminuir a partir de 2041. Segundo ele, há a possibilidade de que nesse ano o país registre mais mortes do que nascimentos, marcando uma mudança inédita na dinâmica demográfica nacional.
"Isso é um fato novo, desconhecido pelo nosso país, que sempre teve pressão demográfica", disse Pochmann durante a cerimônia de 90 anos do IBGE, no Palácio Itamaraty.
Ele também indicou que o IBGE deverá realizar novos levantamentos para captar as transformações da sociedade brasileira no século XXI, diante de múltiplos fatores emergentes.
"Estamos diante da construção de uma outra sociedade, de serviços, hiperconectada e da era digital, uma sociedade que precisa ser melhor revelada", afirmou.
O presidente do IBGE também defendeu a implementação de novas políticas públicas de caráter "preditivo".

"Essa mudança substancial que estamos vivendo também significa repensar o papel das políticas públicas."

"Políticas públicas permitem antecipar a ação ao fato", acrescentou, ao detalhar que, nas próximas décadas, o IBGE deverá ampliar a produção de informações sobre os serviços públicos disponíveis.
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Segundo Pochmann, a nova dinâmica exigirá uma "reorganização do Estado brasileiro". Ele destacou ainda que uma das missões do instituto será alcançar a soberania dos dados no país.

"Essa é uma missão que nós, do IBGE, temos, que é a construção de um sistema nacional de geociência e estatísticas de dados, que permitiria um salto muito importante do ponto de vista de oferecer uma visão mais ampla e totalizante do Brasil."

Ele disse que essa estrutura deve se consolidar como uma instituição de Estado, que "não deve a esse ou aquele governo".
Atualmente, segundo Pochmann, o Brasil enfrenta uma fragmentação das informações, sem uma visão integrada que permita combinar dados de áreas como educação, saúde, trabalho e violência.

"Isso hoje até pode ser feito por grandes empresas estrangeiras, mas ainda não é possível fazer no nosso país", afirmou.

Durante a cerimônia, o IBGE também apresentou o mapa "Riqueza das Espécies", que evidencia a alta concentração de biodiversidade — incluindo anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce — especialmente no território brasileiro.
Por essa razão, o Brasil aparece no centro da representação cartográfica, que também é exibida de forma invertida.

"Trabalhamos com uma perspectiva diferente, no caso da cartografia tradicional, que vem desde Mercator, que estabelece ao Norte Global uma proporcionalidade superior em relação aos países do Sul Global", explicou.

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