O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Black Hawk após identificar problemas no processo de licitação e desconfianças de que a aeronave era composta por peças usadas. O Black Hawk é um modelo de helicóptero militar multifuncional, fabricado pela empresa norte-americana Sikorsky Aircraft.
Segundo noticiou o portal g1, em 2024, o governo do estado abriu uma licitação para a compra de um helicóptero blindado para atuar em operações policiais em regiões dominadas pelo narcotráfico.
Segundo o portal, pelo menos duas empresas que participaram do processo de licitação, a Flyone e a Blue Air, eram ligadas ao mesmo empresário, Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido no meio de prestação de serviços de helicópteros como Tico-Tico.
A Flyone é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por acidentes ocorridos no Acre quando assinou um contrato para o transporte aéreo de alimentos para povos originários. Em 2025, a Flyone foi comprada pela Ambipar e Fernando Salles foi demitido da empresa. Já a Blue Air tem como diretor de operações Daniel de Sousa Freitas da Silva Telles, sobrinho de Tico-Tico.
Em 2025, a Blue Air venceu a licitação, oferecendo a aeronave por US$ 12,6 milhões (R$ 70,3 milhões). Posteriormente, a compra foi celebrada pelo então governador do estado Cláudio Castro (PL-RJ), que apareceu em um vídeo anunciando a aquisição ao lado do secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, e do representante da Blue Air, Renato Carriço dos Santos. Apesar do anúncio, o portal aponta que ainda não foi realizado o pagamento da aeronave.
Porém, o valor chamou a atenção do atual governo interino durante a ampla revisão de contratos determinada pelo governador em exercício do estado, o desembargador Ricardo Couto. A suspeita veio à tona pelo valor da aquisição do helicóptero ser inferior à média de US$ 20,9 milhões (R$ 102,8 milhões) por unidade pago em 2025 pela Aeronáutica por 11 helicópteros do modelo.
A principal suspeita é de que o helicóptero enviado ao estado seja equipado com peças de segunda mão. Em nota, o governo em exercício confirmou que entre os contratos revisados está a compra da aeronave militar.
"Os processos estão sendo examinados sob critérios técnicos e jurídicos e, enquanto passam por análise de conformidade, permanecem suspensos", diz a nota.