Neste artigo, a Sputnik conta como é garantida a segurança dos líderes da Coreia do Norte e como ocorreram os vários atentados contra a sua vida.
Intrigas de imperialistas
Kim Il-sung, o futuro líder do povo norte-coreano, começou a temer por sua vida desde os primeiros dias do mandato. Em fevereiro de 1946 ele foi nomeado presidente do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte. Em 1º de março ele sobreviveu à primeira tentativa de homicídio. O jovem líder conseguiu se salvar graças à façanha do tenente russo Novichenko, que se jogou sobre a granada de mão. As autoridades soviéticas não puderam deixar esta provocação sem resposta e, uma semana depois, atribuíram a Kim Il-sung um corpo de segurança pessoal.
Já naquela época havia muitos que desejavam a morte ao líder norte-coreano, inclusive nacionalistas radicais que se recusaram a aceitar as condições de tutela da URSS sobre a Coreia libertada, inimigos do sistema soviético, sistema cuja criação Kim Il-sung difundia ativamente. Sendo assim, as medidas de segurança foram reforçadas mais ainda. Contudo, nem isso impediu que houvesse mais duas tentativas de homicídio contra o líder norte-coreano, que, no entanto, foram evitadas.
Em 1948, foi criado o Exército Popular da Coreia, com brigadas de segurança próprias; depois da criação da República Popular Democrática da Coreia, a URSS iniciou a retirada de suas tropas do país asiático. A pedido de Kim Il-sung, um número de soldados russos ficou no país, contudo, até 1949 estes foram também retirados e o líder da Coreia do Norte precisou de resolver as questões da segurança por conta própria.
Elementos hostis
A guarda pessoal do primeiro líder norte-coreano sempre foi chefiada pelos seus amigos mais próximos e leais. O primeiro destacamento, que depois evoluiu para Departamento de Segurança do Estado, foi criado em 1945.
Deste então, não se sabe nada sobre episódios de tentativas de homicídio contra o líder norte-coreano. Contudo, tal parece ser mais o resultado da atividade do Departamento de Segurança Política norte-coreana, do que do serviço de segurança pessoal.
Operação "sucessor"
Quando, na qualidade de herdeiro de Kim Il-sung, foi aprovada a candidatura de Kim Jong-il, foram introduzidas novas medidas no que se trata da segurança das autoridades da Coreia do Norte. Já em 1977 o futuro líder passou a ter um corpo de segurança pessoal; depois de um ano, foi formada a guarda pessoal com 300 efetivos.
A seleção era muito exigente: além de capacidades físicas e qualidades psicológicas, era avaliada a fidelidade dos candidatos, bem como de todos os seus familiares. Em seguida, durante seis meses os futuros guarda-costas passavam por preparação ideológica, treinamentos e só depois eles poderiam fazer parte da segurança do líder do país.
Em 1982, quando Kim Jong-il foi nomeado oficialmente como sucessor de seu pai, o corpo de guarda pessoal subiu para 1.500 funcionários, já que, além de sua casa, era necessário proteger o escritório, junto com 14 casas de campo onde o sucessor gostava de descansar.
O Departamento de Segurança, que passou a envolver de 30 a 40 mil pessoas, foi dividido em quatro departamentos: o primeiro assumiu a responsabilidade pela proteção militar do líder, sua família e principais instalações governamentais; o segundo ficou responsável pelas questões de alimentação e uso de bens pessoais pela família Kim; o terceiro passou a se ocupar da manutenção técnica; finalmente, o quarto era responsável pela segurança das casas de campo dos líderes norte-coreanos.
Chefes de ferro
Apesar de todas as medidas, a desconfiança de Kim Il-sung crescia. Durante as visitas históricas à URSS, o líder norte-coreano foi acompanhado por um grupo significativo de guarda-costas.
Durante as paradas na viagem, ele preferiu dormir dentro do vagão do próprio trem. Até mesmo para visitar um teatro russo Kim Il-sung concordou apenas se levasse seu próprio sofá.
Devido aos eventos na Romênia, quando foi morto o antigo amigo de Kim Il-sung, Nicolae Ceausescu, e na Etiópia, onde o líder do país, Mengistu Haile Mariam, foi forçado a fugir após seus generais o terem traído, Pyongyang tirou conclusões.
O controle ideológico foi reforçado, bem como as exigências de fidelidade dos candidatos. Além disso, o número de efetivos responsáveis pela segurança da família Kim subiu para 70 mil.
Em resultado, foram evitadas várias tentativas de golpe no início dos anos 90, seus organizadores foram executados. Em resposta a cada tentativa, crescia o número de efetivos do serviço de segurança, alcançando 100 mil pessoas.
Contudo, nenhum de inimigos do líder da Coreia do Norte conseguiu atingir seus objetivos. Kim Il-sung faleceu em 17 de dezembro de 2011, de morte natural.
Entretanto, seu sucessor, Kim Jong-un não se sentiu aliviado com isso. Durante seu mandato, o contingente de seu serviço segurança aumentou para 120 mil pessoas. No entanto, as tentativas de homicídio contra o líder da Coreia do Norte ainda acontecem, sendo cada vez mais sofisticadas.