A CIA preparou a fuga do médico paquistanês Shakeel Afridi, que ajudou as agências de inteligência dos EUA a encontrar e matar o terrorista Osama bin Laden e cuja libertação foi prometida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de uma prisão paquistanesa, mas a operação foi interrompida pela inteligência paquistanesa, informaram à agência RIA Novosti duas fontes independentes, familiarizadas à situação.
Anteriormente, Shakeel Afridi foi transferido de uma prisão na cidade paquistanesa de Peshawar a outro lugar para preparação da fuga.
"A CIA estava planejando retirar o doutor Shakeel Afridi da prisão de Peshawar, tentando organizar uma fuga, mas ela foi interrompida pelo ISI [serviço de inteligência do Paquistão]", disse um dos interlocutores da agência, que pediu anonimato.
A segunda fonte, que também quis manter o anonimato, confirmou essa informação.
Segundo ela, os EUA já pediram ao Paquistão para entregar Afridi.
"Os serviços de inteligência defendem seus informadores que foram desvendados, para manter a confiança entre outros agentes secretos, especialmente em países estrangeiros. Por isso a CIA a nível governamental reiteradamente pediu para Afridi ser entregue [aos EUA]", explicou uma fonte.
De acordo com uma das fontes, a CIA acredita que a libertação de Afridi e sua mudança para os EUA são muito importantes para outras operações secretas da inteligência norte-americana na região.
"É evidente que o Paquistão tenha recusado libertar Afridi devido à postura dos militares que estão certos que isso violará a soberania do país e não apenas minará o sistema legislativo, mas também contribuirá para o aumento das operações de inteligência [dos EUA]", revelou.
Em maio de 2011, quando Osama bin Laden foi eliminado, a mídia norte-americana informou que Afridi contribuiu para o sucesso da operação: em uma missão da CIA, ele entrou na casa onde supostamente estava o líder da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia) e sob o pretexto de vacinação recebeu amostras do DNA dos membros da família dos terroristas.
Operação de eliminação do terrorista, realizada no território do Paquistão sem aprovação de Islamabad causou uma crítica do Paquistão em relação a Washington e agravou as relações bilaterais.
Os EUA exigiram a libertação de Afridi, enquanto Trump durante sua campanha eleitoral declarou que conseguiria fazê-lo "em dois minutos". Entretanto, Afriri ainda está em uma prisão no Paquistão.