No Brasil, diante da crise do coronavírus, o Senado aprovou nos últimos dias uma moção de apelo internacional pedindo ajuda de 11 organizações globais para enfrentar a pandemia. O texto é endereçado aos governos do G20, (e também às entidades internacionais, como a ONU, OMS e OCDE), sobretudo às potências Rússia, Reino Unido, EUA e China.
A Sputnik Brasil conversou com alguns senadores para compreender a importância deste documento, e, principalmente, se o país de fato receberá alguma ajuda internacional de seus aliados políticos a partir da divulgação desta carta.
Analogamente, ouvimos a especialista em saúde pública da UFRJ, Ligia Bahia, que explicou o cenário da produção nacional de insumos necessários para combater a COVID-19. Afinal, é também pela falta de medicamentos que o Brasil pede ajuda ao mundo.
Com quase quatro mil mortos por dia, o país enfrenta as consequências pela falta de vacinação. Ou, como disseram os senadores em sua publicação: "O país precisa urgentemente vacinar pelo menos um terço de sua população, e apela que outros países ajudem a obter o número necessário de imunizantes".
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'Um apelo, um pedido de ajuda'
O senador Alessandro Vieira, do Cidadania, explicou à Sputnik Brasil que "o pedido de ajuda é um ato de desespero do parlamento brasileiro, que aponta para a necessidade de que o mundo observe o caos sanitário que o Brasil enfrenta, e as consequências disso para as nações amigas".
O senador revelou que ainda não existe "uma expectativa concreta de como essa ajuda pode chegar". Porém, enfatizou: "É uma demanda justa, correta, e deve ser levada em consideração pelos países que receberam o nosso chamado".
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Para a especialista sanitária Ligia Bahia, "a falta destes insumos, que são básicos, e que qualquer país tem domínio, como oxigênio e luvas, são itens que não deveriam faltar".
"Na verdade, desde fevereiro de 2020, há vários alertas sobre a necessidade expandir a produção destes insumos, principalmente de oxigênio. De fato, o uso mais intenso de oxigênio evita a intubação. É preciso proteger as pessoas da morte, mas, no Brasil, falta tudo, e sobra falta de coordenação", explicou.
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'O mundo precisa saber o que acontece com o Brasil'
Senador pelo PT, Paulo Paim entende que a moção de pedido de ajuda internacional, liderada pela senadora Kátia Abreu, "é fundamental para o mundo saiba o que está acontecendo no Brasil". Em depoimento à Sputnik Brasil, ele disse que o país precisa da cooperação e solidariedade internacional.
Neste sentido, Ligia Bahia entende que a "pandemia trouxe de volta a compreensão de que não dá para ter uma plataforma internacional para produtos estratégicos para a saúde. No início, faltaram equipamentos e máscaras até mesmo nos EUA. Todos precisaram importar máscaras da China, da Índia, países que praticamente detinham um monopólio desses itens que não eram considerados essenciais".
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A sanitarista disse ainda que "nisto inclui-se os ventiladores de respiração, que deixaram de ser prioridade nas fábricas brasileiras. Agora, tudo isso mudou. O mundo todo produz estes insumos e subsidia uma cadeia de produção. De fato, se trata de uma questão de soberania nacional. Países estão constrangidos em exportar esses produtos em detrimento de sua população. O maior exemplo é o Biden, que colocou em seus planos a produção destes insumos quase que exclusivamente para a população norte-americana".
A senadora Simone Tebet, do MDB, avaliou que o "governo brasileiro não fez o dever de casa e não contratou vacina quando nos foi oferecida no ano passado. Agora, o Senado está apelando para o G20 e a OMS, tentando correr contra o tempo".
Ela disse que o país "virou uma ameaça sanitária mundial e, somente por isso, acredito que teremos ajuda. Não imediata, mas a partir de maio. Não por causa do governo, mas apesar dele".
Paulo Paim complementou a senadora, e ressaltou que, "no Brasil, são quase quatro mil mortos por dia. Somos o epicentro mundial da pandemia, e o mundo precisa entender que este vírus não tem fronteira". Ele disse que a situação do Brasil não vai mudar se não houver uma visão humanitária ao lado de seus aliados. "Independente de ideologia, seja Rússia ou os EUA, nós queremos que a vacina chegue aqui", afirmou.
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