Líderes da UE pedem investigação sobre pouso 'inaceitável' de avião da Ryanair em Minsk

© REUTERS / Johanna GeronO presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante sessão plenária do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Bélgica, 26 de abril de 2021
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante sessão plenária do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Bélgica, 26 de abril de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 24.05.2021
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O Conselho Europeu exigiu que as autoridades de Belarus libertem imediatamente o jornalista Roman Protasevich e convocou a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) a investigar o pouso "sem precedentes" do avião da Ryanair na capital bielorrussa.

"O Conselho Europeu condena energicamente o pouso forçado do voo da Ryanair em Minsk, Belarus, em 23 de maio de 2021, ameaçando a segurança aérea, e a detenção por parte das autoridades bielorrussas do jornalista Raman Protasevich e [sua companheira] Sofia Sapega", diz um comunicado do órgão da União Europeia.

​Conclusões sobre Belarus adotadas pela reunião do Conselho Europeu presidida por Charles Michel.

Os presentes na reunião do Conselho também exigiram a libertação imediata de Protasevich e Sapega, e pediram que a OACI realize uma investigação sobre o incidente, que classificaram de "sem precedentes e inaceitável".

Além disso, o Conselho pediu que o espaço aéreo da UE fosse fechado para aeronaves bielorrussas, assim como os aeroportos dentro do território da UE, e que os voos dos países do bloco evitassem sobrevoar o espaço aéreo bielorrusso.

O Conselho Europeu "pede às empresas de transporte baseadas na UE que evitem os voos sobre Belarus" e exige "a adoção de medidas necessárias para proibir a entrada no espaço aéreo da UE das companhias bielorrussas e impedir o acesso aos aeroportos da UE para os voos operados por essas companhias", diz a nota.

O órgão, que é composto pelos chefes de Estado ou de governo dos países-membros, e pelos presidentes da Comissão Europeia e do próprio Conselho Europeu, também solicitou a elaboração de "uma lista adicional de pessoas e entidades" para que sejam apresentadas sanções econômicas específicas.

IATA quer investigação completa sobre incidente da Ryanair

Por sua vez, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) afirmou hoje (24) que também deseja uma investigação completa sobre o incidente envolvendo o avião da Ryanair em Minsk.

O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, disse nesta segunda-feira (24) em comunicado que a organização condena nos mais duros termos "qualquer interferência ou pedido para aterrissagem" de voos comerciais civis, que não tenham base no direito internacional, e ressaltou a necessidade de uma investigação competente.

​Condenamos energicamente qualquer interferência ou requisito para aterrissagem de operações de aviação civil que são inconsistentes com as regras do direito internacional. Os detalhes do evento com o voo FR 4978 não estão claros e é necessária uma investigação completa por parte das autoridades internacionais competentes.

Assim como o Conselho Europeu, o governo do Reino Unido também solicitou à Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) que analise o incidente em que as autoridades bielorrussas detiveram o jornalista a bordo do avião da Ryanair.

​A OACI está bastante preocupada com o pouso aparentemente forçado de um voo da Ryanair e seus passageiros, o que poderia representar uma contravenção da Convenção de Chicago. Gostaríamos de receber mais informações confirmadas oficialmente pelos países e operadores envolvidos.

Por sua vez, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse que o seu país pediu uma investigação completa sobre o incidente da Ryanair e garantiu que está trabalhando na questão em estreita colaboração com a União Europeia.

Mais cedo nesta segunda-feira (24), o Ministério do Transporte de Belarus disse à Sputnik que Minsk planeja notificar a OACI e a IATA de sua disposição para investigar a aterrissagem de emergência do avião da Ryanair em um futuro próximo.

Além disso, o chanceler Vladimir Makei afirmou hoje (24) que Belarus está pronto para receber especialistas internacionais.

MRE da Alemanha convoca embaixador de Belarus em Berlim

O embaixador de Belarus em Berlim, Denis Sidorenko, foi convocado hoje (24) para comparecer ao Ministério das Relações Exteriores da Alemanha por causa do incidente envolvendo o avião da Ryanair em Minsk.

"Necessitamos de clareza sobre o que aconteceu realmente ontem [23] a bordo [do avião] e no terreno; e necessitamos de clareza no que diz respeito ao bem-estar de Roman Protasevich e de sua companheira, que devem ser libertados imediatamente; por isso, nesta tarde convocamos o embaixador de Belarus ao Ministério das Relações Exteriores", diz um comunicado do MRE alemão.

O ministério germânico acrescentou que "as declarações anteriores do governo bielorrusso sobre o pouso forçado do avião da Ryanair em Minsk são absurdas e não são dignas de crédito".

Por sua vez, o secretário de Estado da Alemanha, Miguel Berger, informou através do Twitter que manifestou a Sidorenko "um protesto contra a interceptação forçada do avião civil e o sequestro de Roman Protasevich e sua companheira".

O caso Ryanair​

Ontem (23), o avião que fazia a rota entre Atenas, na Grécia, e Vilnius, na Lituânia, teve que fazer um pouso de emergência em Minsk devido a uma ameaça de bomba, que pouco depois foi confirmada como falsa.

Roman Protasevich, fundador de um canal de Telegram que Minsk classifica de extremista, estava a bordo do avião e foi detido durante a parada da aeronave na capital bielorrussa.

Segundo as autoridades bielorrussas, Protasevich pode ser condenado a até 15 anos de prisão por organizar distúrbios massivos no país, além de outras acusações.

A transcrição das conversas entre os controladores de tráfico aéreo bielorrussos e os pilotos da Ryanair mostra que não houve pressão sobre a tripulação para decidir pelo pouso de emergência, segundo afirmou hoje (24) o diretor do Departamento de Aviação do Ministério dos Transportes de Belarus, Artyom Sikorsky.

Além disso, Sikorsky assinalou que os controladores de tráfico aéreo agiram de acordo com os padrões internacionais e acrescentou que os relatos sobre supostas ameaças de mísseis ar-ar contra a aeronave não eram corretos.

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