https://noticiabrasil.net.br/20260103/com-ataque-a-venezuela-eua-tentam-enviar-recado-a-china-russia-e-brics-diz-especialista-46698028.html
Com ataque à Venezuela, EUA tentam enviar recado a China, Rússia e BRICS, diz especialista
Com ataque à Venezuela, EUA tentam enviar recado a China, Rússia e BRICS, diz especialista
Sputnik Brasil
À Sputnik Brasil, cientista político afirma que, mais que a busca por petróleo, o objetivo do ataque dos Estados Unidos à Venezuela é delimitar a zona de... 03.01.2026, Sputnik Brasil
2026-01-03T19:25-0300
2026-01-03T19:25-0300
2026-01-03T20:41-0300
panorama internacional
américas
rússia
donald trump
delcy rodríguez
américa latina
brasil
venezuela
brics
android
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/01/03/46698436_0:0:3072:1728_1920x0_80_0_0_6c328163df560d8d5b3820e0a2989af7.jpg
O ataque dos EUA ao território da Venezuela e o posterior sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, é um ponto de inflexão na política norte-americana, que até então vinha trabalhando com sanções e pressão como forma de alcançar seus interesses políticos e econômicos.É o que afirma, à Sputnik Brasil, Leandro Dalalíbera Fonseca, mestre em ciência política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador de temas de segurança internacional. Fonseca frisa que o ataque é um retorno à política de intervenções militares dos EUA na América Latina, como não se via desde 1989, na invasão do Panamá. Fonseca afirma que o ataque dos EUA à Venezuela é uma forma de delimitar a América Latina como sua zona de influência, seu "quintal", e de enviar um recado a outras potências, especialmente a China."Mais ou menos como o que nós víamos na Doutrina Monroe, na doutrina do Big Stick, ou seja, os EUA não irão permitir que outra potência global tenha influência sobre o seu 'quintal'. Nós vemos agora a ascensão da China como uma grande potência mundial, uma grande superpotência. Após o final da Guerra Fria, apenas os EUA eram a potência hegemônica e nós víamos interesses russos e chineses na Venezuela. Lembrando que a Venezuela tem os maiores poços de petróleo", afirma.Ele avalia que o argumento de Trump de combate ao narcotráfico e ao autoritarismo é "questionável", pois os próprios EUA têm alianças com governos autocráticos.Petróleo não é o único alvoEm coletiva neste sábado (3) sobre o ataque, Trump afirmou que as petroliferas dos EUA voltarão a operar na Venezuela, vão extrair uma quantidade enorme de riquezas do solo do país e "distribuí-las para o povo venezuelano".Em paralelo, a mídia dos EUA noticiou que investidores em Wall Street estão considerando possíveis oportunidades na Venezuela. Charles Myers, presidente da consultoria Signum Global Advisors e ex-diretor da empresa de consultoria de investimentos Evercore, afirmou que planeja uma viagem ao país sul-americano, com representantes de importantes fundos de hedge e gestoras de ativos, para avaliar as perspectivas de investimento no país sob nova liderança.Porém, Fonseca avalia que, apesar da importância, o petróleo não era o principal alvo do governo Trump."É evidente que há o interesse no petróleo, mas há também, diria eu, esse interesse em delimitar uma zona de influência de poder. […] Então não é só o petróleo, passa pelo petróleo, mas passa, principalmente, na minha visão, justamente em delimitar esse domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental e se contrapor aos BRICS […] 'Aqui nenhuma outra potência vai interferir porque esse é o meu quintal e aqui quem dá as cartas sou eu'. Foi o que ele deixou claríssimo."Ele lembra que o segundo mandato de Trump tem na mira o BRICS e a busca do grupo por reduzir a dominância do dólar e frisa que os ataques à Venezuela abrem um "precedente perigoso e grave".Quem governará a Venezuela?Horas após o ataque, o presidente estadunidense, Donald Trump, concedeu coletiva na qual afirmou que os EUA vão administrar a Venezuela até que haja uma "transição adequada" e que não considera novos ataques, se a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, "fizer o que Washington quer". Pouco depois, Rodríguez afirmou em coletiva que Maduro é o único presidente da Venezuela, que "não será colônia de nenhum país".Fonseca destaca que a retirada de Maduro torna incerto o futuro da Venezuela, sobretudo porque autoridades leais ao presidente venezuelano ainda permanecem no cargo.Que impactos o ataque à Venezuela pode ter no Brasil?Fonseca considera que um dos maiores reflexos do ataque à Venezuela no Brasil será o aumento no número de refugiados."Já havia uma grande massa, um grande volume de refugiados venezuelanos. Isso pode aumentar, pode causar um problema ali na fronteira, porque o Brasil tem uma fronteira direta com a Venezuela. Então, essa questão dos refugiados pode se agravar, pode haver um agravamento da crise humanitária na Venezuela", afirma.Além disso, ele aponta que o ataque e sequestro de Maduro abre um precedente extremamente perigoso no qual "a lei do mais forte se sobrepõe ao multilateralismo" e deixa em aberto "quem será o próximo e por quais motivos".
https://noticiabrasil.net.br/20260103/bombardeios-na-venezuela-e-captura-do-seu-presidente-ultrapassam-uma-linha-inaceitavel-diz-lula-46679753.html
https://noticiabrasil.net.br/20260103/russia-expressa-solidariedade-a-venezuela-apos-ataque-dos-eua-46678459.html
américa latina
brasil
venezuela
china
sul global
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
Ataque dos EUA à Venezuela mira influência na América Latina, avalia analista
Sputnik Brasil
Ataque dos EUA à Venezuela mira influência na América Latina, avalia analista
2026-01-03T19:25-0300
true
PT1S
Analista vê ataque à Venezuela como recado ao BRICS e alerta para 'precedente grave'
Sputnik Brasil
Analista vê ataque à Venezuela como recado ao BRICS e alerta para 'precedente grave'
2026-01-03T19:25-0300
true
PT1S
Ataque dos EUA à Venezuela mira conter BRICS e reafirmar domínio na América Latina
Sputnik Brasil
Ataque dos EUA à Venezuela mira conter BRICS e reafirmar domínio na América Latina
2026-01-03T19:25-0300
true
PT1S
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/01/03/46698436_0:0:2732:2048_1920x0_80_0_0_39b84f6554a4141e027aa5281d07dc25.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
américas, rússia, donald trump, delcy rodríguez, américa latina, brasil, venezuela, brics, android, sputnik brasil, celac, ataque, nicolás maduro, petróleo, china, sul global, exclusiva
américas, rússia, donald trump, delcy rodríguez, américa latina, brasil, venezuela, brics, android, sputnik brasil, celac, ataque, nicolás maduro, petróleo, china, sul global, exclusiva
Com ataque à Venezuela, EUA tentam enviar recado a China, Rússia e BRICS, diz especialista
19:25 03.01.2026 (atualizado: 20:41 03.01.2026) Especiais
À Sputnik Brasil, cientista político afirma que, mais que a busca por petróleo, o objetivo do ataque dos Estados Unidos à Venezuela é delimitar a zona de influência norte-americana na América Latina como seu "quintal", no intuito de conter a influência de potências do Sul Global na região.
O
ataque dos EUA ao território da Venezuela e o posterior sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro, é
um ponto de inflexão na política norte-americana, que até então vinha trabalhando com sanções e pressão como forma de alcançar seus interesses políticos e econômicos.
É o que afirma, à Sputnik Brasil, Leandro Dalalíbera Fonseca, mestre em ciência política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador de temas de segurança internacional. Fonseca frisa que o ataque é um retorno à política de intervenções militares dos EUA na América Latina, como não se via desde 1989, na invasão do Panamá.
"O que nós temos hoje é uma ofensiva militar dos EUA contra a Venezuela que viola frontalmente o espírito da zona de paz na América Latina, definido pela CELAC, em 2014, que reforça a percepção de quebra de princípio da não intervenção em nações soberanas", afirma.
Fonseca afirma que o ataque dos EUA à Venezuela é uma forma de delimitar a América Latina como sua zona de influência, seu "quintal", e de enviar um recado a outras potências, especialmente a China.
"Mais ou menos como o que nós víamos na Doutrina Monroe, na doutrina do Big Stick, ou seja, os EUA não irão permitir que outra potência global tenha influência sobre o seu 'quintal'. Nós vemos agora a ascensão da China como uma grande potência mundial, uma grande superpotência. Após o final da Guerra Fria, apenas os EUA eram a potência hegemônica e nós víamos interesses russos e chineses na Venezuela. Lembrando que a Venezuela tem os maiores poços de petróleo", afirma.
Ele avalia que o argumento de Trump de
combate ao narcotráfico e ao autoritarismo é "questionável", pois
os próprios EUA têm alianças com governos autocráticos."E nós vemos que o que chama a atenção dos americanos, principalmente, são países que possuem grandes reservas de petróleo. A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Inclusive, um dos argumentos utilizados pelo Trump seria que o governo venezuelano teria 'roubado' o petróleo dos EUA", explica.
Petróleo não é o único alvo
Em coletiva neste sábado (3) sobre o ataque, Trump afirmou que as petroliferas dos EUA voltarão a operar na Venezuela, vão extrair uma quantidade enorme de riquezas do solo do país e "distribuí-las para o povo venezuelano".
Em paralelo, a mídia dos EUA noticiou que investidores em Wall Street estão considerando possíveis oportunidades na Venezuela. Charles Myers, presidente da consultoria Signum Global Advisors e ex-diretor da empresa de consultoria de investimentos Evercore, afirmou que planeja uma viagem ao país sul-americano, com representantes de importantes fundos de hedge e gestoras de ativos, para avaliar as perspectivas de investimento no país sob nova liderança.
Porém, Fonseca avalia que, apesar da importância, o petróleo não era o principal alvo do governo Trump.
"É evidente que há o interesse no petróleo, mas há também, diria eu, esse interesse em delimitar uma zona de influência de poder. […] Então não é só o petróleo, passa pelo petróleo, mas passa, principalmente, na minha visão, justamente em delimitar esse domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental e se contrapor aos BRICS […] 'Aqui nenhuma outra potência vai interferir porque esse é o meu quintal e aqui quem dá as cartas sou eu'. Foi o que ele deixou claríssimo."
Ele lembra que o segundo mandato de Trump tem na mira o BRICS e a busca do grupo por reduzir a dominância do dólar e frisa que os ataques à Venezuela abrem um "precedente perigoso e grave".
"Nós vínhamos observando ações do governo americano nesse sentido, que eram mais de sanções, questões econômicas, e agora nós vimos um precedente, que é muito perigoso e é grave, que é uma intervenção militar direta em um país da América Latina, que nós não víamos desde 1989 com o Panamá. Então, será que vivemos uma nova Guerra Fria?", questiona o pesquisador.
Quem governará a Venezuela?
Horas após o ataque, o presidente estadunidense, Donald Trump, concedeu coletiva na qual afirmou que os EUA vão administrar a Venezuela até que haja uma "transição adequada" e que não considera novos ataques, se a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, "fizer o que Washington quer". Pouco depois, Rodríguez afirmou em coletiva que Maduro é o único presidente da Venezuela, que "não será colônia de nenhum país".
Fonseca destaca que a retirada de Maduro torna incerto o futuro da Venezuela, sobretudo porque autoridades leais ao presidente venezuelano ainda permanecem no cargo.
"Se gerou um vácuo de poder na Venezuela ou os militares e o chavismo ainda controlam a Venezuela? Nós não sabemos como que os EUA vão fazer uma transição de poder na Venezuela sem a presença de tropas em território venezuelano."
Que impactos o ataque à Venezuela pode ter no Brasil?
Fonseca considera que um dos maiores reflexos do ataque à Venezuela no Brasil será o aumento no número de refugiados.
"Já havia uma grande massa, um grande volume de refugiados venezuelanos. Isso pode aumentar, pode causar um problema ali na fronteira, porque o Brasil tem uma fronteira direta com a Venezuela. Então, essa questão dos refugiados pode se agravar, pode haver um agravamento da crise humanitária na Venezuela", afirma.
Além disso, ele aponta que o ataque e sequestro de Maduro abre um
precedente extremamente perigoso no qual
"a lei do mais forte se sobrepõe ao multilateralismo" e deixa em aberto "quem será o próximo e por quais motivos".
"É uma intervenção direta armada na soberania de um país da América do Sul. Isso é muito grave, porque abre um precedente perigoso, inclusive para o Brasil."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).