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Crise na Venezuela reacende embate político e vira tema central da eleição brasileira

© Foto / Palácio do Planalto / Ricardo StuckertCerimônia de chegada do Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, por ocasião de sua visita oficial ao Brasil, 29 de maio de 2023
Cerimônia de chegada do Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, por ocasião de sua visita oficial ao Brasil, 29 de maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 04.01.2026
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O ataque dos EUA à Venezuela acirrou a disputa eleitoral no Brasil, com a direita usando a queda de Maduro para atacar Lula e reforçar discursos contra o comunismo, enquanto a esquerda reage defendendo soberania e alertando para possível interferência norte-americana na eleição presidencial de 2026.
Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, a direita brasileira vem usando o episódio para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o Planalto tenta adotar um discurso cauteloso diante de um tema que historicamente desgasta a esquerda. A ação militar de Donald Trump contra Nicolás Maduro deve entrar com força na campanha presidencial de 2026, na qual Lula buscará a reeleição e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como pré-candidato da oposição.
De acordo com a Folha de S.Paulo, tanto aliados de Lula quanto políticos de direita avaliam que os efeitos eleitorais dependerão do desfecho da crise venezuelana, marcada pela captura de Maduro e pelo anúncio de que os EUA governarão o país até uma transição. A família Bolsonaro aproveitou o episódio para reativar discursos contra o comunismo e o Foro de São Paulo, reforçando a narrativa de que a queda de Maduro simboliza o enfraquecimento da esquerda na região.
Governadores alinhados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Júnior (PSD), celebraram o que chamam de libertação da Venezuela de uma ditadura. Todos são apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por liderar uma tentativa de golpe após a derrota de 2022. A esquerda, por sua vez, tenta reforçar a defesa da soberania e da democracia, acusando Trump de agir motivado pelo interesse no petróleo venezuelano e alertando para possível interferência norte-americana na eleição brasileira.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a COP30, em novembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 03.01.2026
Panorama internacional
Bombardeios na Venezuela e captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável, diz Lula
Lula condenou os bombardeios e a captura de Maduro, classificando-os como grave afronta à soberania venezuelana e perigoso precedente internacional, mas evitou citar Maduro, Trump ou os EUA diretamente. A direita afirma que o presidente brasileiro tenta se afastar de Maduro, embora mantenha histórico de proximidade com o líder venezuelano, apesar de não ter reconhecido sua reeleição contestada em 2024.
Ao mesmo tempo, Lula busca manter boa relação com Trump, com quem se encontrou em outubro, após o recuo do presidente norte-americano em relação a tarifas e sanções ao Brasil. A oposição explora essa ambiguidade e tenta associar a queda de Maduro a um possível enfraquecimento eleitoral de Lula em 2026, narrativa impulsionada por Tarcísio e Michelle Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro e outros líderes da direita afirmam que Lula é aliado de Maduro e que seus governos compartilham práticas autoritárias. Eles interpretam a operação norte-americana como um aviso a governantes sul-americanos alinhados ao chavismo. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, a América Latina estaria rejeitando a esquerda, citando movimentos recentes na Bolívia, Chile e Argentina.
Flávio Bolsonaro e seus irmãos intensificaram ataques ao governo, afirmando que o "comunismo fracassa" e que ditaduras caem quando os povos escolhem a liberdade. O senador também voltou a atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Foro de São Paulo, acusando a esquerda de ligação com crimes e fraudes eleitorais, reforçando que a crítica ao suposto alinhamento de Lula com ditaduras será central na campanha da direita.
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