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Servidores da Abin veem risco às eleições brasileiras após ofensiva dos EUA na Venezuela, diz mídia

© Foto / Antonio Cruz / Agência BrasilFachada do prédio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em 2 de março de 2023
Fachada do prédio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em 2 de março de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 07.01.2026
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A invasão armada dos EUA à Venezuela pode ter impacto direto no ambiente político e institucional brasileiro, às vésperas das eleições nacionais, segundo servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ouvidos pelo site ICL Notícias.
A reportagem divulgada nesta quarta-feira (7) relata que agentes entrevistados afirmaram que a ação militar dos Estados Unidos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, sequestrado e levado para ser julgado em Nova York, não é um episódio isolado, mas parte de mudança profunda na ordem internacional.
O interesse crescente em recursos naturais estratégicos, como gás e terras raras, pelos EUA gera apreensão em relação ao processo eleitoral brasileiro, segundo os agentes.
O relatório anual de ameaças divulgado pela agência no fim de 2025 já apontava riscos associados à atuação de agentes estrangeiros e de grandes plataformas digitais no ambiente informacional, que pode piorar com a intervenção na Venezuela.
"Em conversas reservadas, agentes afirmam que há uma preocupação real dentro da agência com a possibilidade de interferência direta dos EUA nas eleições brasileiras. 'É quase garantido que vai interferir, nem que seja por desinformação, propaganda ou dinheiro', disse um dos servidores".
A União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis), entidade representativa de servidores da agência, afirmou em nota que a falta de recursos e investimento em inteligência institucional em eventos cruciais, como as eleições nacionais de 2026, deixam a Abin "de mãos atadas, sem condições tecnológicas, orçamentárias e normativas para exercer suas funções essenciais de assessoramento estratégico e proteção nacional".
Ainda segundo o texto, a falta de recursos orçamentários, a partir de 2020, após corte expressivo no número de fontes da agência no exterior, prejudica o levantamento de diagnósticos mais precisos para antecipar decisões estratégicas de outros países.
Outro ponto apontado pelos servidores na matéria é a ausência de adidos de inteligência em postos estratégicos, como na própria Venezuela, após o fechamento da embaixada brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro.
"A fonte mais nova que a gente tem hoje deve ter sete ou oito anos. Desde então, praticamente não houve crescimento", disse um servidor. "É trabalhar no escuro".
O aparelhamento ocorrido durante o governo Jair Bolsonaro, com uso político da inteligência e da chamada operação da "Abin paralela", atribuída ao então diretor-geral Alexandre Ramagem, também foi relatado pelos servidores.

"Além de desgastar a imagem da Abin, o aparelhamento teria comprometido sua capacidade técnica, afastado profissionais e travado investimentos estruturantes. Para eles [servidores ouvido], a agência ainda não conseguiu se recompor plenamente desse processo", diz um trecho da reportagem.

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