Onda de choque inédita em anã branca desafia modelos sobre sistemas binários extremos (IMAGEM)

© Foto / WikiImages
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Astrônomos identificaram uma onda de choque brilhante ao redor de uma anã branca, apesar de o sistema não possuir o disco de acreção que normalmente explicaria esse fenômeno. A descoberta revela um mecanismo desconhecido e desafia modelos sobre como matéria flui em binários extremos.
Localizada a 731 anos‑luz, a anã branca RXJ0528+2838, considerada um sistema tranquilo e sem disco de acreção, surpreendeu os pesquisadores ao produzir uma nebulosa intensa e incomum.
As anãs brancas são remanescentes ultradensos de estrelas como o Sol, formadas após o colapso do núcleo quando a fusão nuclear se encerra. Apesar de terem o tamanho aproximado da Terra, podem concentrar até 1,4 massa solar e, em sistemas binários, costumam absorver material da estrela companheira, gerando fenômenos como erupções termonucleares.

A imagem quadrada central, obtida com o instrumento MUSE do Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), mostra ondas de choque ao redor da estrela morta RXJ0528+2838
Normalmente, ventos estelares e discos de acreção são responsáveis por fluxos de saída capazes de criar ondas de choque ao colidir com o meio interestelar. Porém, RXJ0528+2838 não possui disco, embora tenha uma companheira de baixa massa. Ainda assim, a onda de choque observada — rica em hidrogênio, oxigênio e nitrogênio — indica um fluxo contínuo há cerca de mil anos, incompatível com explosões rápidas típicas de eventos termonucleares.
A equipe de pesquisa que se debruçou sobre o fenômeno sugere que o forte campo magnético da anã branca pode estar desviando o material da companheira diretamente para sua superfície, contornando a formação do disco. Esse processo poderia gerar fluxos de saída persistentes, mesmo sem o mecanismo tradicional associado a sistemas binários ativos.
Para os pesquisadores, o fenômeno desafia o entendimento atual sobre como matéria se move e interage em sistemas extremos. A presença de um fluxo tão poderoso em um sistema que deveria ser estável e silencioso indica que há processos físicos ainda desconhecidos atuando nessas estrelas mortas.
A descoberta abre novas questões sobre a dinâmica de anãs brancas magnetizadas e sugere que mecanismos alternativos de ejeção de material podem ser mais comuns do que se imaginava, exigindo revisões nos modelos que descrevem a evolução e o comportamento desses remanescentes estelares.


