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'Campanhas eleitorais jogam com o medo': o peso do ataque à Venezuela nas eleições brasileiras

© AP Photo / Bruna PradoManifestantes protestam contra a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas no fim de semana, no Rio de Janeiro. Brasil, 5 de janeiro de 2026
Manifestantes protestam contra a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas no fim de semana, no Rio de Janeiro. Brasil, 5 de janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 13.01.2026
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Em entrevista ao podcast Jabuticaba sem Caroço, da Sputnik Brasil, analistas apontam que no pleito deste ano há boas chances da oposição usar o episódio na Venezuela para incutir no eleitor o medo de que uma reeleição de Lula leve à uma agressão dos EUA ao Brasil.
Após posicionar uma grande frota marítima nos mares ao redor da Venezuela, e "testar as águas" com ataques injustificados à embarcações em águas internacionais, no dia 3 de janeiro os Estados Unidos realizaram um ataque à capital venezuelana de Caracas, no qual sequestraram o presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à esq.), é retratado durante audiência de custódia nos Estados Unidos, em janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 06.01.2026
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Justiça norte-americana recua e Maduro não é mais acusado de liderar suposto cartel de drogas
Sob argumentos de combate ao narcotráfico e restaurar a democracia no país, a Casa Branca tampouco escondeu a sua verdadeira motivação, a retomada do controle norte-americano sobre o de petróleo venezuelano, estatizado em 2007 pelo então presidente Hugo Chávez (1999-2013).
O episódio movimentou a política brasileira nas tradicionais linhas político-partidárias. Partidos e movimentos de esquerda se posicionaram ao lado do governo de Maduro. De maneira institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rechaçou duramente o ataque classificando como uma "afronta gravíssima" à soberania de uma nação e "um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
Já os principais cotados como presidenciáveis pela oposição – Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr (PSD) – exaltaram a ação como uma suposta restauração da democracia no país.
Jabuticaba Sem Caroço #826 - Sputnik Brasil, 1920, 13.01.2026
Jabuticaba Sem Caroço
Efeito dominó: a intervenção dos EUA na Venezuela impacta o debate político no Brasil?
Para Luiz Javier Ruiz, analista internacional e cientista político venezuelano, a agressão sofrida pela Venezuela será utilizada pela oposição nas eleições brasileiras para "aterrorizar a população", ao argumentarem que se Lula for reeleito, o Brasil pode ter o mesmo destino de Caracas.
"Dentro das campanhas eleitorais também se joga com a contrapropaganda, se joga com o medo [...]. O tipo de medo que permite que seu voto seja condicionado, tentando evitar que o que aconteceu na Venezuela também se repita no Brasil", afirmou Ruiz ao Jabuticaba Sem Caroço, podcast da Sputnik Brasil.
Ele lembra que essa tática de aproximar o destino das duas nações foi utilizada, sem sucesso, em eleições passadas e, portanto, não é possível dizer que surtirá efeito. Até porque, diz, um ataque ao Brasil seria um "escândalo internacional de maiores proporções" do que o caso venezuelano.
"Não somente por sua extensão geográfica e o caráter de potência emergente que tem o Brasil na América do Sul, mas porque também é membro dos BRICS."
Base Aérea de Natal com aviões durante a Cruzex IV 2008 em Natal, Rio Grande do Norte. Brasil, 24 de novembro de 2008 - Sputnik Brasil, 1920, 12.01.2026
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Bases de Noronha e Natal: EUA podem usar o argumento do 'direito histórico' para intervir no Brasil?
Ao programa, Vitor Stuart de Pieri, professor do Departamento de Geografia Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que a questão venezuelana não é vista pelo eleitorado brasileiro como um tema de política externa, mas sim como algo que pode influenciar a economia doméstica e o bem-estar do país.
Para o eleitor conservador, assusta a conivência ideológica de Lula com a Venezuela , enquanto o progressista, sejam apoiadores ou críticos de Maduro, há a rejeição da ideia de intervenção militar estrangeira.
"A Venezuela entra indiretamente como uma narrativa de medo ou de advertência, mas quem vai decidir no final é a economia, é o bem-estar da população."

"Então, a diplomacia do Lula não será julgada pela questão da Venezuela, mas pela capacidade de manter o Brasil fora de guerras, de crises migratórias e de sanções. O Lula, trazendo esse debate mais equilibrado, vai conquistar o eleitor médio. O eleitor médio hoje quer estabilidade, ele não quer alinhamento ideológico."

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