Cientistas encontram DNA de rinoceronte-lanoso em estômago de cria de lobo (FOTO)

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Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, extraíram o genoma completo de um rinoceronte-lanoso a partir de um fragmento de carne preservado no estômago de uma cria de lobo congelada.
O sequenciamento de DNA mostrou que a espécie se extinguiu rapidamente, provavelmente devido ao rápido aquecimento do clima. Resultados do estudo foram publicados na revista Genome Biology and Evolution (GBE).
O tecido do rinoceronte-lanoso foi encontrado na autópsia de um lobo mumificado encontrado no permafrost da Sibéria em 2011. A análise de radiocarbono mostrou que os restos tinham cerca de 14.400 anos, o que significa que o animal comido foi um dos últimos membros da sua espécie.
Os cientistas conseguiram pela primeira vez obter um genoma animal completo da Idade do Gelo a partir de restos não digeridos no estômago de outro animal. O genoma deste rinoceronte foi comparado com dois espécimes mais antigos, com idades de aproximadamente 18 mil e 49 mil anos respectivamente.
A tissue sample recovered from the digestive tract of an Ice Age wolf has provided a rare look at the woolly rhinoceros genome. https://t.co/Qpx7KBNDSs pic.twitter.com/XMmMQz5y4x
— Interesting Engineering (@IntEngineering) January 15, 2026
A análise mostrou que o nível de endogamia e diversidade genética em todos os três indivíduos era semelhante. Isso indica que houve uma população relativamente estável de rinocerontes-lanosos no nordeste da Sibéria até o fim, sem sinais de degeneração genética a longo prazo. Portanto, a extinção ocorreu rapidamente e não como resultado de um declínio gradual da população.
Segundo os autores do trabalho, os dados obtidos refutam a versão sobre o papel decisivo da caça humana no desaparecimento de rinocerontes-lanosos. A população destes animais existiu na região pelo menos 15 mil anos após a chegada dos humanos à região.
A extinção da espécie coincidiu com um forte aquecimento do clima no final da última era glacial, o chamado período de transição climática Máximo Tardiglaciar. Os cientistas sugerem que a rápida mudança climática levou ao desaparecimento da vegetação familiar da qual estes herbívoros dependiam, o que se tornou uma das principais razões para a sua extinção.

