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Mídia: Sul Global reage ao unilateralismo de Trump e defende nova governança internacional

© Foto / Ricardo Stuckert / PRO presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta seu homólogo chinês Xi Jinping, por ocasião da sessão de abertura do IV Fórum CELAC-China, no China National Convention Center II, Pequim, 13 de maio de 2025
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta seu homólogo chinês Xi Jinping, por ocasião da sessão de abertura do IV Fórum CELAC-China, no China National Convention Center II, Pequim, 13 de maio de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 25.01.2026
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A postura unilateral de Donald Trump em Davos reacendeu tensões geopolíticas e impulsionou a reação do Sul Global, que reforça o multilateralismo e a necessidade de uma nova governança internacional em contraste com a agenda hegemonista dos EUA, escreveu o portal Brasil 247.
Os países emergentes vêm ganhando centralidade como forças capazes de oferecer estabilidade ao sistema internacional e impulsionar uma nova arquitetura de governança global.
Segundo editorial do Brasil 247, esse movimento ficou ainda mais evidente após a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial de Davos, onde suas declarações reacenderam tensões geopolíticas ao rejeitar o multilateralismo e defender uma política externa ancorada no unilateralismo norte‑americano.
Durante o encontro, Trump anunciou duas iniciativas que ilustram essa orientação: a criação de um "conselho de paz" sob sua liderança, apresentado como alternativa à ONU, e um "acordo‑quadro" com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) envolvendo a Groenlândia e o Ártico.
Ambas as propostas reforçam uma estratégia externa baseada na pressão econômica, na renúncia a compromissos coletivos e na tentativa de subordinar instituições internacionais aos interesses exclusivos dos Estados Unidos.
O chamado "conselho de paz", inicialmente associado ao pós‑guerra em Gaza, foi rapidamente ampliado e passou a ser apresentado como substituto das instâncias multilaterais tradicionais. A iniciativa representa um afastamento explícito das estruturas criadas no pós‑Segunda Guerra Mundial e desafia o papel histórico da ONU como principal foro de mediação de conflitos e negociação diplomática.
O segundo anúncio, relativo ao Ártico e à Groenlândia, explicitou os interesses estratégicos de Washington na região, que envolvem projeção militar diante de Rússia e China, controle de rotas marítimas e exploração de recursos energéticos e minerais.
A defesa de um acesso permanente à Groenlândia, porém, confronta princípios fundamentais do direito internacional, como soberania e decisões multilaterais, e reforça uma política externa marcada pelo unilateralismo e pelo risco de novos conflitos.
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De acordo com o artigo, a repercussão dessas posições foi ampliada por uma campanha midiática que utilizou imagens artificiais e incorreções básicas, como a presença de pinguins no Ártico, um episódio que evidenciou uma estratégia de comunicação que combina elementos fantasiosos e objetivos políticos, expondo contradições e fragilidades na narrativa apresentada pelo governo norte‑americano.
Em contraste, Davos também foi palco de manifestações em defesa do multilateralismo. Nesse contexto, ganhou destaque a conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Xi Jinping, que reafirmaram Brasil e China como pilares de estabilidade e defensores de uma ordem internacional baseada no direito internacional, na cooperação e na reforma das instituições multilaterais, incluindo a ONU.
O diálogo entre os dois líderes expressou a visão do Sul Global de que a atual instabilidade decorre da substituição de regras coletivas por decisões unilaterais.
Para a mídia, ao defenderem desenvolvimento compartilhado, soberania nacional e resolução pacífica de controvérsias, Brasil e China reforçaram o papel crescente dos países emergentes na construção de uma ordem multipolar — movimento que também se reflete nas conversas recentes de Lula com líderes da Índia e da Rússia, consolidando o Brasil como articulador de consensos e defensor de uma nova governança internacional.
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