https://noticiabrasil.net.br/20260130/cobranca-argelina-por-reparacao-ao-periodo-colonial-coloca-paris-no-banco-dos-reus-da-historia-47538334.html
Cobrança argelina por reparação ao período colonial coloca Paris no banco dos réus da história?
Cobrança argelina por reparação ao período colonial coloca Paris no banco dos réus da história?
Sputnik Brasil
Lei aprovada no parlamento argelino em dezembro de 2025, que exige reparações e criminaliza o domínio colonial francês, acrescenta mais uma camada na crise... 30.01.2026, Sputnik Brasil
2026-01-30T17:21-0300
2026-01-30T17:21-0300
2026-01-30T19:36-0300
panorama internacional
europa
emmanuel macron
argélia
frança
oriente médio e áfrica
reparação
história
colonialismo
independência
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/1421/46/14214654_0:270:5184:3186_1920x0_80_0_0_68b90b7b9510c118bff0cfd60a4ef62d.jpg
De caráter interno e dimensão simbólica, a deliberação pede que a França reconhece e repare as violações dos direitos humanos cometidas ao longo dos anos de 1830 a 1962, durante a colonização da Argélia. A legislação é composta por 27 artigos e enumeram crimes como testes nucleares, realizados por Paris em território argelino ao final da Segunda Guerra Mundial.De acordo com a mídia francesa, o governo do país europeu encarou a lei como uma medida "claramente hostil". O momento, segundo analistas ouvidos pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, é de uma relação conturbada entre os países e a decisão unânime do parlamento argelino sobre uma lei à memória da colonização é mais um capítulo do imbróglio recente.Conforme explica Vitória França, pesquisadora no Centro de Análise de Instituições, Políticas e Reflexões da América, da África e da Ásia (Caipora), as relações entre França e Argélia vêm se deteriorando há pelo menos uma década.Declarações do presidente francês Emmanuel Macron como a "Argélia não existia como nação antes do colonialismo francês" deixaram os argelinos indignados, diz a especialista. Mas é 2024 que o ápice do atrito chega. No dado ano, a França reconheceu o Saara Ocidental — território importante disputado por Argélia e Marrocos — como território soberano marroquino.A decisão levou Argel e Paris a chamaram de volta seus embaixadores. "E houve uma crise diplomática sem precedentes. Com isso, cada situação mínima, até como agora em dezembro de 2025, foi se tornando um grande problema", esclarece.Além disso, questões relacionadas à migração também foram envolvidas no caldeirão da contenda. Cerca de 17% dos imigrantes na França são argelinos, e Macron, visando as eleições que se aproximam, se mostra cada vez mais preocupado com a pressão da direita sobre o tema. No entanto, a Argélia não tem aceitado pessoas deportadas da França de volta em o seu territórioVitória avalia que um pedido de desculpa formal da França com o Estado argelino poderia abrandar as relações, mas isso não deve acontecer "devido principalmente às questões políticas do Macron dentro da França".Argélia tem poder para sustentar uma queda de braço?Em situações de disputa política entre uma potência colonial e uma ex-colônia independente há 53 anos, ou seja, ainda recente, o que se discute é a possibilidade de sustentação do lado mais fraco. No continente africano, por exemplo, muitos países ainda lidam com a dependência econômica do Estado francê, utilizando, inclusive, moedas vinculadas ao Euro. Este, entretanto, não é o caso da Argélia.Nesta etapa, ao exigir reparação história por parte da França sobre o período colonial, a Argélia o faz "de forma consciente e soberana", como a potencial regional que é na África, argumenta o escritor e historiador Sayid Marcos Tenório.Assim como já ressaltado pelo legislativo argelino, Tenório reafirma que não significa apenas que Argel luta por reparação financeira ou desenvolvimento de projetos para a reestruturação de uma determinada área onde onde houve destruição, mas "de medidas concretas, que envolvem questões subjetivas, como a verdade histórica".O que o historiador sugere que deva se suceder é um reconhecimento dos crimes cometidos por parte de Paris, a partir de uma declaração, que também deve constar um entendimento de que não vai adotar mais esse tipo de prática. Segundo ele, esta seria uma forma de frear ameaças de um eventual retorno do colonialismo."A Argélia é um Estado soberano, não é mais uma ex-colônia. A França é um Estado soberano, não é mais a potência ocupante e colonizadora. Vamos tratar de igual para igual. Acho que essa reparação é uma reparação que faz sentido e pode ter consequências históricas para outras nações que foram colonizadas, para o povo colonizado e para as potências que tentam normalizar aquele período."Apesar da discussão, a lei tem caráter apenas interno. Perguntado sobre a viabilidade de levar a discussão para organismos internacionais, Tenório declina e diz não ser uma boa ideia "por conta da correlação de forças" que caracteriza o cenário atual. O analista garante, por sua vez, que mesmo se tratando de um regimento doméstico, a "cobrança que a Argélia faz da reparação moral e histórica é muito importante e põe o regime colonial francês no banco dos réus da história."
https://noticiabrasil.net.br/20260130/argelia-reconhece-colonizacao-francesa-como-crime-47530208.html
https://noticiabrasil.net.br/20250328/argelia-engrossa-o-caldo-de-nacoes-africanas-que-se-distanciam-da-franca-rumo-ao-multilateralismo-38993538.html
https://noticiabrasil.net.br/20250725/crise-camboja-x-tailandia-fruto-do-colonialismo-frances-e-reflexo-da-disrupcao-da-ordem-41679833.html
argélia
frança
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/1421/46/14214654_288:0:4896:3456_1920x0_80_0_0_d162a7a9be72d070877afdab2d40c530.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
europa, emmanuel macron, argélia, frança, oriente médio e áfrica, reparação, história, colonialismo, independência, parlamento, legislativo, soberania, exclusiva, mundioka
europa, emmanuel macron, argélia, frança, oriente médio e áfrica, reparação, história, colonialismo, independência, parlamento, legislativo, soberania, exclusiva, mundioka
Cobrança argelina por reparação ao período colonial coloca Paris no banco dos réus da história?
17:21 30.01.2026 (atualizado: 19:36 30.01.2026) Especiais
Lei aprovada no parlamento argelino em dezembro de 2025, que exige reparações e criminaliza o domínio colonial francês, acrescenta mais uma camada na crise diplomática recente vivida pelos dois países.
De caráter interno e dimensão simbólica, a deliberação pede que a França reconhece e repare as violações dos direitos humanos cometidas ao longo dos anos de 1830 a 1962, durante a colonização da Argélia. A legislação é composta por 27 artigos e enumeram crimes como testes nucleares, realizados por Paris em território argelino ao final da Segunda Guerra Mundial.
De acordo com a mídia francesa, o governo do país europeu encarou a lei como uma medida "claramente hostil". O momento, segundo analistas ouvidos pelo Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, é de uma relação conturbada entre os países e a decisão unânime do parlamento argelino sobre uma lei à memória da colonização é mais um capítulo do imbróglio recente.
Conforme explica Vitória França, pesquisadora no Centro de Análise de Instituições, Políticas e Reflexões da América, da África e da Ásia (Caipora), as relações entre França e Argélia vêm se deteriorando há pelo menos uma década.
Declarações do presidente francês Emmanuel Macron como a "Argélia não existia como nação antes do colonialismo francês" deixaram os argelinos indignados, diz a especialista. Mas é 2024 que o ápice do atrito chega. No dado ano, a
França reconheceu o
Saara Ocidental — território importante disputado por Argélia e Marrocos —
como território soberano marroquino.A decisão levou Argel e Paris a
chamaram de volta seus embaixadores. "E houve uma crise diplomática sem precedentes. Com isso, cada situação mínima, até como agora em dezembro de 2025, foi se tornando um grande problema", esclarece.
Além disso, questões relacionadas à migração também foram envolvidas no caldeirão da contenda. Cerca de 17% dos imigrantes na França são argelinos, e Macron, visando as eleições que se aproximam, se mostra cada vez mais preocupado com a pressão da direita sobre o tema. No entanto, a Argélia não tem aceitado pessoas deportadas da França de volta em o seu território
Vitória avalia que um pedido de desculpa formal da França com o Estado argelino poderia abrandar as relações, mas isso não deve acontecer "devido principalmente às questões políticas do Macron dentro da França".
Argélia tem poder para sustentar uma queda de braço?
Em situações de disputa política entre uma potência colonial e uma ex-colônia independente há 53 anos, ou seja, ainda recente, o que se discute é a possibilidade de sustentação do lado mais fraco. No continente africano, por exemplo, muitos países
ainda lidam com a dependência econômica do Estado francê, utilizando, inclusive, moedas vinculadas ao Euro. Este, entretanto, não é o caso da Argélia.
"A Argélia depende um pouco do mercado francês. Não é como era há cinco anos atrás. Grande parte do PIB é de hidrocarbonetos, então com a construção de novos gasodutos na região, ela conseguiu diversificar bastante o mercado", salienta Vitória.
Nesta etapa, ao exigir reparação história por parte da França sobre o período colonial, a Argélia o faz
"de forma consciente e soberana", como a
potencial regional que é na África, argumenta o escritor e historiador
Sayid Marcos Tenório."A justiça histórica que a Argélia busca é no sentido de que não há reconciliação possível sem que haja o reconhecimento da verdade sobre os massacres, a tortura, o roubo das riquezas argelinas", acrescenta.
Assim como já ressaltado pelo legislativo argelino, Tenório reafirma que não significa apenas que Argel luta por reparação financeira ou desenvolvimento de projetos para a reestruturação de uma determinada área onde onde houve destruição, mas "de medidas concretas, que envolvem questões subjetivas, como a verdade histórica".
O que o historiador sugere que deva se suceder é um reconhecimento dos crimes cometidos por parte de Paris, a partir de uma declaração, que também deve constar um entendimento de que não vai adotar mais esse tipo de prática. Segundo ele, esta seria uma forma de frear ameaças de um eventual retorno do colonialismo.
"A
Argélia é um Estado soberano, não é mais uma ex-colônia. A França é um Estado soberano, não é mais a potência ocupante e colonizadora. Vamos tratar de igual para igual. Acho que essa reparação é uma reparação que faz sentido e pode ter consequências históricas para outras nações que foram colonizadas, para o povo colonizado e para as potências que tentam normalizar aquele período."
Apesar da discussão, a lei tem caráter apenas interno. Perguntado sobre a viabilidade de levar a discussão para organismos internacionais, Tenório declina e diz não ser uma boa ideia "por conta da correlação de forças" que caracteriza o cenário atual. O analista garante, por sua vez, que mesmo se tratando de um regimento doméstico, a "cobrança que a Argélia faz da reparação moral e histórica é muito importante e põe o regime colonial francês no banco dos réus da história."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).