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Europa se volta ao Sul Global em busca de autonomia por desgaste com EUA, avaliam analistas

© AP Photo / Ebrahim NorooziForças militares dinamarquesas participam de um exercício com centenas de soldados de vários membros europeus da OTAN no Oceano Ártico, em Nuuk, Groenlândia, 15 de setembro de 2025
Forças militares dinamarquesas participam de um exercício com centenas de soldados de vários membros europeus da OTAN no Oceano Ártico, em Nuuk, Groenlândia, 15 de setembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 04.02.2026
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À Sputnik Brasil, analistas ouvidos apontam que o desgaste na relação entre Estados Unidos e Europa tem levado líderes europeus a buscar maior autonomia estratégica e a diversificar parcerias, em meio ao temor de oscilações da política externa norte-americana.
A relação entre Estados Unidos e Europa, historicamente considerada um dos pilares centrais da ordem internacional do pós-guerra, atravessa um período de desgaste visível. Embora a parceria transatlântica siga sustentada por interesses comuns, acordos econômicos e cooperação militar, crescem sinais de desconfiança em capitais europeias diante de decisões e discursos vindos de Washington.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda, em primeiro plano), e o presidente da Argentina, Javier Milei, posam para uma foto em grupo durante a Cúpula do Mercosul em Buenos Aires, Argentina, em 3 de julho de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 30.01.2026
Panorama internacional
Defesa sul-americana se tornou refém das alternâncias de governo, afirmam especialistas
Nos últimos anos, a percepção europeia sobre a Casa Branca tem sido influenciada por uma combinação de fatores: disputas comerciais e protecionismo, divergências sobre estratégias de segurança e a cobrança constante para que membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte elevem seus gastos com defesa em meio a períodos de recessão econômica.
Ao mesmo tempo, mudanças abruptas de prioridades em política externa como a invasão à Venezuela e as ameaças de anexação da Groenlândia, alimentam o temor de que a Europa esteja vulnerável devido a sua falta de capacidade de articular uma resposta.
Entre a necessidade de manter a cooperação com Washington e o impulso de construir maior autonomia estratégica, líderes europeus enfrentam um dilema: até que ponto é possível depender dos estadunidenses como fiadores de segurança e parceiro confiável em um cenário internacional cada vez mais competitivo e fragmentado?
#807 Mundioka  - Sputnik Brasil, 1920, 04.02.2026
Mundioka
Estados Unidos: de aliado a inimigo da Europa?
No Mundioka de quarta-feira (04), podcast da Sputnik Brasil, vamos analisar se a Europa está caminhando para uma autonomia maior e até que ponto pode fazer isso sem romper sua aliança histórica com os norte-americanos.
Para Clayton Cunha Filho, professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará, há uma profunda reestruturação acontecendo na ordem internacional, sob o patrocínio de Washington, e que a antiga ordem dificilmente será restaurada, mesmo com uma mudança de presidência no Salão Oval.
O professor lembra que, após a Segunda Guerra Mundial, a Europa dependeu muito dos EUA para sua proteção – a criação da OTAN como pacto de defesa contra União Soviética – e sua reconstrução – o surgimento do Plano Marshall para o desenvolvimento das economias europeias.
Nesse contexto, os países europeus não precisavam se preocupar tanto com a questão armamentista porque tinham esse "grande escudo" dos Estados Unidos

"O que a gente está vendo hoje, aparentemente, é uma nova estratégia dos EUA muito mais voltada ao poder duro, em vez de poder brando, basicamente se escudando em ela ser a maior potência militar do mundo, que tem as maiores Forças Armadas, maior Força Aérea, maior Força Naval, bases militares espalhadas pelo mundo todo."

Segundo Cunha Filho, a mudança de estratégia norte-americana representa uma volta às políticas de esfera de influência, em que grandes potências, como Washington e Moscou, consolidam hegemonias regionais.
"A gente está nesse período que chamam de 'neblina de guerra', onde tem tanta coisa acontecendo e você não consegue ter exatamente certeza de para onde tudo está indo".
Para Monica Lessa, professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a reconfiguração da aliança entre os EUA e a Europa se explica por dois fatores.
O primeiro é que o atual governo norte-americano se posiciona de forma crítica à globalização e ao multilateralismo, avaliando que esses mecanismos favoreceram a ascensão competitiva da China. O segundo é a percepção, hoje predominante na Casa Branca, de que Washington deveria adotar uma postura mais assertiva no comércio exterior, priorizando ganhos econômicos diretos em vez de concentrar esforços na mediação de conflitos e na manutenção de uma hegemonia geopolítica regionalizada.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em evento no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 28.01.2026
Panorama internacional
Ameaças dos EUA fazem a Europa buscar o Sul Global por apoio
Para não ficar à mercê das oscilações de Washington, líderes europeus têm sinalizado a busca por alternativas e por maior autonomia estratégica, diversificando parcerias e ampliando interlocução com outras potências e com o Sul Global, em um movimento que busca retomar a ordem multipolar.
Para Lessa, esse reposicionamento também está ligado a uma preocupação econômica concreta: se a Europa quiser garantir acesso a minérios e matérias-primas essenciais para competir em setores estratégicos, terá de recorrer a importações — e isso impõe o desafio adicional de manter capacidade tecnológica e industrial para transformar esses insumos em vantagem competitiva.
Nesse sentido, Lessa aponta que o renovado impulso europeu para destravar o acordo Mercosul-União Europeia — negociado há cerca de 25 anos — foi interpretado como uma espécie de "tábua de salvação" em debates e jornais europeus. Ainda que o tratado enfrente entraves históricos, como o chamado "nó agrícola" e resistências internas de pequenos proprietários rurais europeus, a professora destaca que o entusiasmo recente por parte dos líderes do continente não era observado com a mesma intensidade em anos anteriores.

"Se o acordo vai ser realmente assinado, a gente não sabe, porque ele vai ter que passar por todo esse processo. Também não sabemos como vão reagir os EUA, porque o discurso da doutrina Monroe significa que a América Latina, que a América do Sul, ela é zona de influência exclusiva dos EUA."

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