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Cinco pontos-chave sobre a parceria comercial Brasil–Rússia
Cinco pontos-chave sobre a parceria comercial Brasil–Rússia
Sputnik Brasil
A Sputnik Brasil elencou cinco pontos-chave na relação comercial entre Brasil e Rússia, sua importância, vantagens e desafios na união bilateral. 05.02.2026, Sputnik Brasil
2026-02-05T17:07-0300
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A realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN) recoloca a relação entre os dois países no centro do debate, indo além da dimensão estritamente geopolítica. A parceria comercial entre Brasília e Moscou revela posições estratégicas e complementares nas cadeias globais de produção, especialmente em setores considerados sensíveis para a economia internacional.Em coletiva concedida em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil "não pode jogar fora nenhuma oportunidade", ao destacar o potencial de cooperação nas áreas de transição energética e de minerais críticos.A Sputnik Brasil reuniu os principais pontos que ajudam a compreender a importância e os desafios da parceria comercial entre Brasil e Rússia.Balança ComercialA balança comercial entre Brasil e Rússia evidencia uma relação marcada pela complementaridade e oportunidade. Em 2025, o intercâmbio bilateral alcançou US$ 11 bilhões, consolidando a Rússia como o 12º maior parceiro comercial do Brasil. Apesar do volume expressivo, o saldo é deficitário para os brasileiros.O contexto geopolítico internacional teve impacto direto nessa dinâmica. As sanções impostas pelos países do G7 à Rússia, após o conflito na Ucrânia, levaram Moscou a redirecionar fluxos comerciais para parceiros fora do eixo ocidental, com destaque para os países do BRICS. Nesse movimento, as importações russas oriundas do grupo saltaram de US$ 95 bilhões para cerca de US$ 210 bilhões, ampliando o espaço para o Brasil e reforçando a posição russa como grande exportadora de bens essenciais.Diante desse cenário, o governo brasileiro tem sinalizado interesse em reequilibrar a relação comercial. Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação dos canais de comércio bilateral, sobretudo em áreas como minerais críticos e transição energética, com o objetivo de reduzir o déficit e aumentar o valor agregado das exportações brasileiras. A estratégia passa menos por reduzir importações essenciais e mais por diversificar e qualificar a pauta exportadora.ExportaçãoAs exportações brasileiras para a Rússia seguem fortemente concentradas em commodities agrícolas, o que reforça o papel do Brasil como fornecedor de alimentos em um contexto de reconfiguração das cadeias globais. Soja, café, carne bovina e açúcar lideram a pauta, atendendo à demanda russa por grãos e proteínas, especialmente após a redução das importações vindas de países europeus.Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam crescimento expressivo em segmentos específicos, como o café cru, cujas exportações saltaram entre 2019 e 2024, alcançando US$ 266,1 milhões. Esse desempenho reflete não apenas a competitividade do produto brasileiro, mas também a consolidação de canais comerciais mais estáveis entre os dois países.Apesar do protagonismo das commodities, especialistas apontam que a concentração excessiva limita o potencial da relação comercial. A ampliação das exportações de produtos industrializados e semimanufaturados aparece como um desafio central para o Brasil, especialmente em setores nos quais o país possui capacidade produtiva.ImportaçãoDo lado das importações, a Rússia ocupa posição estratégica para o Brasil no fornecimento de insumos considerados vitais para a economia. Segundo dados da Comtrade, os principais produtos importados pelo Brasil são combustíveis — cerca de US$ 7 bilhões — e fertilizantes, que somam aproximadamente US$ 4 bilhões anuais. Esses itens são fundamentais para o funcionamento do agronegócio, setor que responde por 29,4% do PIB brasileiro.A dependência de fertilizantes russos ganhou ainda mais relevância após as disrupções globais provocadas pela pandemia e pelo conflito na Ucrânia. Nesse contexto, o Brasil optou por não aderir às sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia aos produtos energéticos russos, tornando-se o quinto maior comprador de derivados de petróleo da Rússia, segundo o Centro para Pesquisas em Energia e Ar Limpo.Oportunidades no BrasilA relação com a Rússia oferece ao Brasil oportunidades que vão além do comércio tradicional. Um dos principais vetores é a atração de investimentos e cooperação tecnológica em áreas estratégicas, como fertilizantes, mineração e energia. Empresas russas detêm know-how relevante nesses setores, o que pode contribuir para reduzir gargalos históricos da economia brasileira.A cooperação em minerais críticos — essenciais para a transição energética — surge como um campo promissor. O Brasil possui vastas reservas de lítio, nióbio e terras raras, enquanto a Rússia reúne experiência tecnológica e capacidade industrial. Parcerias nesse segmento podem fortalecer a posição brasileira nas cadeias globais de energia limpa e reduzir a dependência de países ocidentais ou asiáticos.Além disso, o Brasil pode se beneficiar da ampliação de joint ventures e acordos de transferência de tecnologia, especialmente no âmbito do BRICS. A estratégia brasileira busca transformar a relação comercial em uma parceria mais estruturante, capaz de gerar empregos, inovação e maior valor agregado interno, em vez de apenas reforçar a lógica exportadora de commodities.Oportunidades na RússiaPara a Rússia, o Brasil representa um mercado estratégico e estável no Sul Global, com grande capacidade de absorção de alimentos, bens industriais e cooperação tecnológica. Segundo o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil, existem ao menos 217 oportunidades de exportação de produtos brasileiros para o mercado russo, em segmentos como materiais de construção, couro, ferramentas, utensílios e máquinas, o que também beneficia a economia russa ao diversificar fornecedores.No setor alimentício, a convergência entre a demanda russa e a oferta brasileira é particularmente relevante. As sanções ocidentais reforçaram a estratégia de Moscou de reduzir dependências da Europa e ampliar parcerias com países emergentes. Nesse contexto, o Brasil se consolida como fornecedor confiável, capaz de garantir segurança alimentar em médio e longo prazo.A presença de sete projetos setoriais da ApexBrasil voltados ao mercado russo indica uma aposta institucional na consolidação dessa relação. Para a Rússia, isso significa não apenas acesso a produtos brasileiros, mas também a possibilidade de aprofundar laços econômicos e políticos com um dos principais atores da América Latina, reforçando sua estratégia de inserção internacional em um mundo cada vez mais multipolar.
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Cinco pontos-chave sobre a parceria comercial Brasil–Rússia
17:07 05.02.2026 (atualizado: 19:07 05.02.2026) Redação
Equipe da Sputnik Brasil
A Sputnik Brasil elencou cinco pontos-chave na relação comercial entre Brasil e Rússia, sua importância, vantagens e desafios na união bilateral.
A realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN) recoloca a relação entre os dois países no centro do debate, indo além da dimensão estritamente geopolítica.
A parceria comercial entre Brasília e Moscou revela posições estratégicas e complementares nas cadeias globais de produção, especialmente em setores considerados sensíveis para a economia internacional.
Em coletiva concedida em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil "não pode jogar fora nenhuma oportunidade", ao destacar o potencial de cooperação nas áreas de transição energética e de minerais críticos.
A Sputnik Brasil reuniu os principais pontos que ajudam a compreender a importância e os desafios da parceria comercial entre Brasil e Rússia.
A balança comercial entre Brasil e Rússia evidencia
uma relação marcada pela complementaridade e oportunidade. Em 2025, o
intercâmbio bilateral alcançou
US$ 11 bilhões, consolidando a Rússia como o 12º maior parceiro comercial do Brasil. Apesar do volume expressivo,
o saldo é deficitário para os brasileiros.
O contexto geopolítico internacional teve impacto direto nessa dinâmica. As sanções impostas pelos
países do G7 à Rússia, após o conflito na Ucrânia, levaram Moscou a redirecionar fluxos comerciais para parceiros fora do eixo ocidental, com destaque para os países do BRICS. Nesse movimento, as importações russas oriundas do grupo saltaram de
US$ 95 bilhões para cerca de US$ 210 bilhões, ampliando o espaço para o Brasil e reforçando a posição russa como grande exportadora de bens essenciais.
Diante desse cenário, o governo brasileiro tem sinalizado interesse em reequilibrar a relação comercial. Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação dos canais de comércio bilateral, sobretudo em áreas como minerais críticos e transição energética, com o objetivo de reduzir o déficit e aumentar o valor agregado das exportações brasileiras. A estratégia passa menos por reduzir importações essenciais e mais por diversificar e qualificar a pauta exportadora.
As exportações brasileiras para a Rússia seguem fortemente concentradas em commodities agrícolas, o que reforça o papel do Brasil como fornecedor de alimentos em um contexto de reconfiguração das cadeias globais. Soja, café, carne bovina e açúcar lideram a pauta, atendendo à demanda russa por grãos e proteínas, especialmente após a redução das importações vindas de países europeus.
Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam crescimento expressivo em segmentos específicos, como o café cru, cujas exportações saltaram entre 2019 e 2024, alcançando US$ 266,1 milhões. Esse desempenho reflete não apenas a competitividade do produto brasileiro, mas também a consolidação de canais comerciais mais estáveis entre os dois países.
Apesar do protagonismo das commodities, especialistas apontam que a concentração excessiva limita o potencial da relação comercial. A ampliação das exportações de produtos industrializados e semimanufaturados aparece como um desafio central para o Brasil, especialmente em setores nos quais o país possui capacidade produtiva.
Do lado das importações, a Rússia ocupa posição estratégica para o Brasil no fornecimento de insumos considerados vitais para a economia. Segundo dados da Comtrade, os principais produtos importados pelo Brasil são combustíveis —
cerca de US$ 7 bilhões — e fertilizantes, que somam
aproximadamente US$ 4 bilhões anuais. Esses itens são fundamentais para o
funcionamento do agronegócio, setor que responde por 29,4% do PIB brasileiro.
A dependência de fertilizantes russos ganhou ainda mais relevância após as disrupções globais provocadas pela pandemia e pelo conflito na Ucrânia. Nesse contexto, o Brasil optou por não aderir às sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia aos produtos energéticos russos, tornando-se o quinto maior comprador de derivados de petróleo da Rússia, segundo o Centro para Pesquisas em Energia e Ar Limpo.
A relação com a Rússia oferece ao Brasil oportunidades que vão além do comércio tradicional. Um dos principais vetores é a atração de investimentos e cooperação tecnológica em áreas estratégicas, como fertilizantes, mineração e energia. Empresas russas detêm know-how relevante nesses setores, o que pode contribuir para reduzir gargalos históricos da economia brasileira.
A cooperação em minerais críticos — essenciais para a transição energética — surge como um campo promissor. O Brasil possui vastas reservas de lítio, nióbio e terras raras, enquanto a Rússia reúne experiência tecnológica e capacidade industrial. Parcerias nesse segmento podem fortalecer a posição brasileira nas cadeias globais de energia limpa e reduzir a dependência de países ocidentais ou asiáticos.
Além disso, o Brasil pode se beneficiar da ampliação de joint ventures e acordos de transferência de tecnologia,
especialmente no âmbito do BRICS. A estratégia brasileira busca transformar a relação comercial em uma parceria mais estruturante, capaz de gerar empregos, inovação e maior valor agregado interno, em vez de apenas reforçar a lógica exportadora de commodities.
Para a Rússia, o Brasil representa um mercado estratégico e estável no
Sul Global, com grande capacidade de absorção de alimentos, bens industriais e cooperação tecnológica. Segundo o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil,
existem ao menos 217 oportunidades de exportação de produtos brasileiros para o mercado russo, em segmentos como materiais de construção, couro, ferramentas, utensílios e máquinas, o que também beneficia a economia russa ao diversificar fornecedores.
No setor alimentício, a convergência entre a demanda russa e a oferta brasileira é particularmente relevante. As sanções ocidentais reforçaram a estratégia de Moscou de reduzir dependências da Europa e ampliar parcerias com países emergentes. Nesse contexto, o Brasil se consolida como fornecedor confiável, capaz de garantir segurança alimentar em médio e longo prazo.
A presença de sete projetos setoriais da ApexBrasil voltados ao mercado russo indica uma aposta institucional na consolidação dessa relação. Para a Rússia, isso significa não apenas acesso a produtos brasileiros, mas também a possibilidade de aprofundar laços econômicos e políticos com um dos principais atores da América Latina, reforçando sua estratégia de inserção internacional em um mundo cada vez mais multipolar.
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