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Teerã aposta em oferta bilionária para destravar negociações nucleares com EUA, aponta mídia

© AP Photo / Michael GruberBandeira do Irã ondula em frente ao prédio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, na Áustria, em 17 de dezembro de 2021
Bandeira do Irã ondula em frente ao prédio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, na Áustria, em 17 de dezembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 18.02.2026
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Teerã tenta transformar as negociações nucleares em Genebra em uma proposta de caráter econômico, oferecendo acesso às suas vastas reservas de petróleo, gás e minerais como incentivo para os Estados Unidos.
De acordo com o South China Morning Post, a estratégia iraniana busca apresentar um eventual acordo não apenas como um pacto de segurança, mas como uma oportunidade comercial bilionária para empresas norte-americanas.
Analistas consultados pela mídia asiática observam que essa abordagem dialoga com o estilo de negociação do presidente norte-americano Donald Trump, embora alertem que a profunda desconfiança mútua e a oposição política interna em ambos os países tornam o sucesso incerto. Para autoridades iranianas, a durabilidade de qualquer acordo depende de benefícios econômicos tangíveis também para Washington.

O discurso sobre uma "oportunidade de um trilhão de dólares" não é novo, mas seu retorno sinaliza a insistência iraniana em manter o enquadramento econômico no centro das conversas. Após quatro horas de consultas indiretas mediadas por Omã, negociadores relataram avanços em princípios orientadores, ainda que sem um roteiro definido.

A leitura norte-americana, porém, foi mais cautelosa. O vice-presidente J.D. Vance afirmou que houve progresso, mas destacou que Teerã ainda não aceitou certas "linhas vermelhas" estabelecidas por Trump. Mesmo assim, especialistas reconhecem que a ênfase econômica ajuda a criar um ambiente mais favorável às negociações.
Mísseis balísticos com bandeiras dos EUA e do Irã ao fundo - Sputnik Brasil, 1920, 17.02.2026
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Tensões EUA – Irã: especialistas analisam possíveis cenários após negociações
O argumento iraniano se apoia em recursos naturais expressivos, mas subdesenvolvidos. O país possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a quarta maior de petróleo, além de vastas reservas minerais, incluindo zinco, cobre, ferro e lítio. Teerã tenta atrair capital estrangeiro oferecendo contratos mais lucrativos e taxas de retorno elevadas.

Propostas anteriores sugeriam que os EUA pudessem liberar exportações seletivas para o Irã, especialmente em setores como aviação e agricultura, sem suspender as principais sanções. Também estimavam que subsidiárias estrangeiras de empresas norte-americanas pudessem acessar trilhões em oportunidades de investimento até 2040.

A motivação iraniana é reforçada por uma crise econômica prolongada, marcada por inflação alta, desvalorização da moeda e estagnação. Analistas afirmam que Teerã vê um acordo como essencial para evitar novos protestos e possíveis ameaças à estabilidade interna. Ao mesmo tempo, permitir a entrada de empresas norte-americanas no setor energético representa uma mudança significativa em relação ao temor histórico de "infiltração cultural".
Ainda assim, de acordo com especialistas que falaram à mídia são previstos obstáculos por parte dos EUA. A confiança entre os dois governos é baixa, e é difícil imaginar empresas dos EUA entrando rapidamente no mercado iraniano. Além disso, a proposta econômica enfrenta resistência dentro do próprio governo Trump, marcado por figuras hostis ao Irã.
Paralelamente, atores influentes — como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o lobby israelense no Congresso — devem pressionar contra qualquer acordo, mesmo que ele ofereça benefícios econômicos aos EUA, conclui a apuração.
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