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Escalada contra o Irã eleva chances de conflito generalizado na região, diz especialista
Escalada contra o Irã eleva chances de conflito generalizado na região, diz especialista
Sputnik Brasil
Enquanto Washington amplia sua presença militar, especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil alertam que a resposta iraniana, a posição de Israel e a... 20.02.2026, Sputnik Brasil
2026-02-20T21:25-0300
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O aumento das tensões entre Washington e Teerã é acompanhada por uma presença militar cada vez mais ampla no Oriente Médio. Nas últimas décadas, o Pentágono consolidou uma rede de instalações militares que se estende por vários países vizinhos do Irã como Bahrein, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Síria e Emirados Árabes Unidos.Atualmente são 19 bases no Oriente Médio, sendo ao menos oito consideradas permanentes. Essa rede cria um cinturão que, na prática, circunda o Irã e permite aos Estados Unidos projetarem poder rapidamente.Diante desse cenário, surgem questões centrais para compreender o real alcance dessa escalada militar. Por que embora formalmente alinhados a Washington, países da região evitam um apoio direto às suas iniciativas? Até que ponto Israel investe para conter a influência do Irã? Qual o verdadeiro poderio militar iraniano, tanto convencional quanto assimétrico?O Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, debate nesta sexta-feira (20) as dimensões desse conflito, assim como os limites reais da estratégia americana no Oriente Médio.Ali Ramos, cientista político, filósofo e criador do canal Vento Leste, explica que o cenário que se desenha é mais complexo que das últimas vezes. O posicionamento das monarquias do golfo está longe de ser uniforme.A Arábia Saudita, apesar de ser uma rival histórica do Irã, vem adotando uma postura mais cautelosa diante do risco de uma guerra aberta, priorizando a estabilidade interna e a segurança das rotas energéticas. Já os Emirados Árabes Unidos, embora mantenham cooperação estratégica estreita com Tel Aviv e Washington, enfrentam tensões próprios no golfo, como no Iêmen, o que limita sua disposição para se envolver em uma escalada maior.Por fim, há o papel direto de Tel Aviv, que é o principal adversário regional de Teerã e se prepara para um conflito com sua capacidade militar superior, forte defesa antimísseis e apoio estratégico da Casa Branca. Ainda assim, um conflito prolongado poderia sobrecarregar as defesas israelenses e ampliar o risco de ataques por parte de aliados iranianos na região, como o Hezbollah no Líbano e grupos xiitas no Iraque.Para Ramos, essa fragmentação regional é um dos fatores que tornam o cenário imprevisível. "Se essa guerra estourar, tudo depende de quanto ela vai durar. Se for uma guerra de dias ou semanas, talvez fique localizada. Mas, se o Irã puxar para uma guerra de atrito, aí o risco é outro."Rubens de Siqueira Duarte, professor do programa de pós-graduação em ciências militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), lembra ao programa Irã tem uma capacidade militar relevante, mesmo quando comparado a potências maiores.Isso ficou evidente no conflito recente com Israel, quando Teerã demonstrou que não possui um poder desprezível e conseguiu atingir alvos específicos, inclusive instalações estratégicas, apesar do amplo esforço de defesa aérea coordenado pela Casa Branca e seus aliados: Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Reino Unido.Duarte avalia que, embora o Irã tenha sofrido perdas severas após o confronto e sua capacidade esteja hoje reduzida, o episódio reforçou que o país continua sendo uma potência militar expressiva. Em sua avaliação, haveriam custos econômicos enormes para este conflito, uma vez que a primeira atitude do Irã será o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa de 20% da produção de petróleo mundial, incluindo da Arábia Saudita, a maior produtora do planeta, já que seus campos petrolíferos ficam no leste do país.Apesar dos custos altíssimos, o Duarte ressalta que o presidente norte-americano, Donald Trump, não parece demonstrar grande preocupação com o peso financeiro de uma escalada militar, uma vez que a economia dos Estados Unidos gira, em parte, em torno de sua base industrial de defesa, que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano.O orçamento militar americano ultrapassa US$ 800 bilhões anuais (cerca de R$ 4 trilhões), representando de longe o maior gasto militar do mundo, enquanto grandes empresas do setor — como a Lockheed Martin, a RTX (ex-Raytheon) e a Northrop Grumman — dependem fortemente de contratos públicos e de demandas associadas a conflitos e tensões internacionais.Nesse contexto, argumenta o pesquisador, a manutenção de um ambiente de instabilidade externa pode reforçar a atividade deste complexo industrial-militar, que tem peso econômico, tecnológico e político significativo dentro do país.
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Escalada contra o Irã eleva chances de conflito generalizado na região, diz especialista
21:25 20.02.2026 (atualizado: 22:37 20.02.2026) Especiais
Enquanto Washington amplia sua presença militar, especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil alertam que a resposta iraniana, a posição de Israel e a fragmentação das alianças no Golfo podem escalar o conflito para uma ação regional.
O aumento das tensões entre Washington e Teerã é acompanhada por uma
presença militar cada vez mais ampla no Oriente Médio. Nas últimas décadas, o Pentágono consolidou uma rede de instalações militares que se estende por vários países vizinhos do Irã como Bahrein, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Síria e Emirados Árabes Unidos.
Atualmente são 19 bases no Oriente Médio, sendo ao menos oito consideradas permanentes. Essa rede cria um cinturão que, na prática, circunda o Irã e permite aos Estados Unidos projetarem poder rapidamente.
Diante desse cenário, surgem questões centrais para compreender o real alcance dessa escalada militar. Por que embora formalmente alinhados a Washington, países da região evitam um apoio direto às suas iniciativas? Até que ponto Israel investe para conter a influência do Irã? Qual o verdadeiro poderio militar iraniano, tanto convencional quanto assimétrico?
O Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, debate nesta sexta-feira (20) as dimensões desse conflito, assim como os limites reais da estratégia americana no Oriente Médio.
Ali Ramos, cientista político, filósofo e criador do canal Vento Leste, explica que o cenário que se desenha é mais complexo que das últimas vezes. O posicionamento das monarquias do golfo está longe de ser uniforme.
A Arábia Saudita, apesar de ser uma rival histórica do Irã, vem adotando uma postura mais cautelosa diante do risco de uma guerra aberta, priorizando a estabilidade interna e a segurança das rotas energéticas. Já os Emirados Árabes Unidos, embora mantenham cooperação estratégica estreita com Tel Aviv e Washington, enfrentam tensões próprios no golfo, como no Iêmen, o que limita sua disposição para se envolver em uma escalada maior.
Por fim, há o papel direto de Tel Aviv, que é o principal adversário regional de Teerã e se prepara para um conflito com sua capacidade militar superior, forte defesa antimísseis e apoio estratégico da Casa Branca. Ainda assim, um conflito prolongado poderia sobrecarregar as defesas israelenses e ampliar o risco de ataques por parte de aliados iranianos na região, como o Hezbollah no Líbano e grupos xiitas no Iraque.
Para Ramos, essa fragmentação regional é um dos fatores que tornam o cenário imprevisível. "Se essa guerra estourar, tudo depende de quanto ela vai durar. Se for uma guerra de dias ou semanas, talvez fique localizada. Mas, se o Irã puxar para uma guerra de atrito, aí o risco é outro."
"Porque Israel, Estados Unidos e Irã têm capacidade de sustentar um conflito longo, e, nesse caso, a região inteira pode se conflagrar. A paz na Síria é frágil, o Líbano continua instável, o Iraque depende de milícias, e o Irã tem doutrina de usar esses grupos para projetar poder."
Rubens de Siqueira Duarte, professor do programa de pós-graduação em ciências militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), lembra ao programa Irã tem uma
capacidade militar relevante, mesmo
quando comparado a potências maiores. Isso ficou evidente no conflito recente com Israel, quando Teerã demonstrou que não possui um poder desprezível e conseguiu atingir alvos específicos, inclusive instalações estratégicas, apesar do amplo esforço de defesa aérea coordenado pela Casa Branca e seus aliados: Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Reino Unido.
Duarte avalia que, embora o Irã tenha sofrido perdas severas após o confronto e sua capacidade esteja hoje reduzida, o episódio reforçou que o país continua sendo uma potência militar expressiva.
Em sua avaliação, haveriam custos econômicos enormes para este conflito, uma vez que a primeira atitude do Irã será o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa de 20% da produção de petróleo mundial, incluindo da Arábia Saudita, a maior produtora do planeta, já que seus campos petrolíferos ficam no leste do país.
"Se o conflito se arrastar, vários países podem acabar envolvidos e ninguém sabe até onde pode ir o preço do petróleo nem o tamanho do impacto estratégico disso", resume Ramos.
Apesar dos custos altíssimos, o Duarte ressalta que o presidente norte-americano,
Donald Trump, não parece demonstrar grande preocupação com o peso financeiro de uma escalada militar, uma vez que
a economia dos Estados Unidos gira, em parte,
em torno de sua base industrial de defesa, que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano.
O orçamento militar americano ultrapassa US$ 800 bilhões anuais (cerca de R$ 4 trilhões), representando de longe o maior gasto militar do mundo, enquanto grandes empresas do setor — como a Lockheed Martin, a RTX (ex-Raytheon) e a Northrop Grumman — dependem fortemente de contratos públicos e de demandas associadas a conflitos e tensões internacionais.
Nesse contexto, argumenta o pesquisador, a manutenção de um ambiente de instabilidade externa pode reforçar a atividade deste complexo industrial-militar, que tem peso econômico, tecnológico e político significativo dentro do país.
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