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Governo federal decide revogar decreto de concessão de 3 hidrovias na Amazônia

© AP Photo / Andre PennerPescadores pescam no rio Tapajós no distrito de Santarém, estado do Pará, 27 de agosto de 2020
Pescadores pescam no rio Tapajós no distrito de Santarém, estado do Pará, 27 de agosto de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 23.02.2026
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Em meio à pressão de indígenas contra projetos de dragagem de rios na Amazônia, o governo federal decidiu nesta segunda-feira (23) revogar um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que previa a concessão de três hidrovias da região. A medida foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.
Nos últimos dias, indígenas ocuparam terminais portuários e embarcações da empresa de soluções agrícolas Cargill em Santarém, no Pará, contra o projeto de dragagem do rio Tapajós incluído no decreto de concessão de um trecho de cerca de 250 quilômetros da hidrovia que passa pelo leito. Para o grupo, há uma tentativa de privatização do manancial.
A situação levou a uma reunião de emergência entre os ministros da Secretaria-Geral do Governo, Guilherme Boulos (PSOL), e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), com lideranças do movimento. Após o encontro, foi anunciada a revogação do decreto.

"Houve uma mobilização legítima e justa dos povos indígenas em relação a esse decreto, e o governo do presidente Lula tem a capacidade de escuta. Governo do presidente Lula ouve a sociedade", afirmou Boulos.

Já a ministra Sônia Guajajara lembrou que a decisão foi tomada por Lula mesmo durante a viagem oficial de Estado para a Coreia do Sul. "Os indígenas estão há 33 dias na ocupação com mulheres, crianças e que seguem lá acampadas com condições precárias. Então, foi muito importante a gente também considerar essa questão humanitária que se encontra o movimento neste momento", acrescentou.
Além da hidrovia do Tapajós, seriam concedidos outros dois trechos: mais de mil quilômetros do rio Madeira, entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM), e outros mil quilômetros do rio Tocantins, entre Peixe (TO) e Belém (PA).
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Crise entre governo e povos indígenas

A publicação do decreto desencadeou uma crise entre o governo federal, movimentos sociais e povos indígenas, sobretudo no Pará. Na última quinta-feira (19), indígenas abordaram uma balsa carregada de grãos que estava atracada no porto da empresa. Dividido em quatro embarcações, parte do grupo entrou nas águas do Rio Tapajós e nadou até a estrutura da companhia. A mobilização foi acompanhada pela Polícia Federal e pela Marinha, que foram acionadas.
Embora tenha sido assinado em agosto do ano passado, o decreto que inclui "empreendimentos públicos federais do setor hidroviário no Programa Nacional de Desestatização" ganhou maior repercussão nas últimas semanas.
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