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'Uma ordem internacional mais democrática': por que países estão buscando o BRICS?

© AP Photo / Vincent ThianO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, o presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, posam para uma foto durante a cerimônia de abertura da 47ª Cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, Malásia.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, o presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, posam para uma foto durante a cerimônia de abertura da 47ª Cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, Malásia. - Sputnik Brasil, 1920, 25.02.2026
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Em meio a instabilidade econômica e diplomática no mundo, analistas explicam que os países estão querendo entrar no BRICS em busca de alternativas para estruturas historicamente alinhadas com interesses do Ocidente.
Nos últimos anos, o cenário internacional passou por mudanças profundas que recolocaram o BRICS no centro do debate geopolítico. O grupo passou a atrair o interesse de diversos países e, em 2024, passou por uma rodada de expansão, adicionando Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Indonésia ao rol de membros plenos junto à Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Além disso, foi criada a categoria de países parceiros, convidados às cúpulas do grupo como observadores. Ao todo, mais dez países se integraram à iniciativa: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
No Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, especialistas explicam quais são atrativos para entrar no BRICS e no NBD para esses países em meio a instabilidade global.
Segundo Lier Pires Ferreira, pesquisador do Núcleo de Estudos dos Países BRICS (Nubrics), muitos países têm buscado o BRICS e o Novo Banco de Desenvolvimento, instrumento filiado ao grupo, como alternativas às instituições financeiras tradicionais do Ocidente, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo ele, essas organizações costumam impor condicionalidades econômicas e exigir alinhamentos políticos e estratégicos com seus principais financiadores — especialmente os Estados Unidos — o que leva diversos países a buscar mecanismos de financiamento considerados mais flexíveis e menos condicionados.
Recorrer ao "Banco do BRICS" não implica, necessariamente, abertura de mercados, alinhamento geopolítico ou mudanças na orientação política, ressalta o pesquisador. Ainda assim, a instituição não é uma "antagonista" das organizações de Bretton Woods, mas como um mecanismo complementar, capaz de oferecer crédito com menos condicionalidades.
"Para pegar recursos junto ao NBD, não tem que se aliar à Rússia, à China, ao Brasil, à Índia, ou absolutamente nada", explica Ferreira. "Você tem apenas que entrar com o projeto de desenvolvimento, projeto de infraestrutura, mostrar do ponto de vista técnico as vantagens que aquele projeto vai trazer e conseguir ali os recursos necessários para a sua implementação."
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante audiência concedida a empresários sul-coreanos - Sputnik Brasil, 1920, 23.02.2026
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Para Marta Fernandez, diretora do BRICS Policy Center, entidade ligada ao Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o aumento do interesse de países em ingressar no grupo se explica, sobretudo, por dois fatores.
O primeiro é a busca por diversificação comercial e por novas fontes de investimento, em especial a partir de iniciativas lideradas pela China, como o projeto Cinturão e Rota. O segundo é a percepção de declínio relativo da influência dos Estados Unidos, o que tem levado Washington a adotar uma política externa mais assertiva, incentivando outras nações a ampliar parcerias e reduzir dependências estratégicas.
Fernandez avalia que a própria estratégia da Casa Branca de reforçar uma postura unilateral e preservar sua hegemonia global acaba estimulando outros países a apostar na diversificação de parcerias.
A diretora cita como exemplos Brasil e Índia, integrantes do BRICS que foram alvo de tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos. Segundo ela, medidas desse tipo tendem a incentivar essas economias a ampliar relações comerciais e financeiras com outros parceiros, como forma de reduzir vulnerabilidades externas e se proteger de pressões ou sanções futuras.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (E), cumprimenta o primeiro-ministro indiano Narendra Modi antes de uma foto de grupo durante a 17ª cúpula anual do BRICS no Rio de Janeiro, 7 de julho de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2026
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Acima de tudo, como explica Fernandez, o BRICS seria uma forma dos países do Sul Global, antes diminuídos como países do Terceiro Mundo, se ajudarem e buscarem uma cooperação para desafios globais, como transição energética e mudanças climáticas.

"Existe também uma dimensão muito simbólica das lutas anticoloniais, dos movimentos do Terceiro Mundo, por uma busca por autonomia, por uma busca pelo desenvolvimento, por uma busca pelo direito. [...] O BRICS, ele traz com ele essa possibilidade dos países do Sul Global terem uma certa concertação, de se criar uma cooperação no âmbito das relações Sul-Sul", afirma a diretora.

Segundo a pesquisadora, a multipolaridade atual difere de experiências históricas anteriores, como o chamado concerto europeu do século XIX, que organizava o equilíbrio entre potências, mas coexistia com a expansão colonial. "A ideia hoje é que haja uma possibilidade de uma ordem internacional mais democratizada."

"Uma ordem internacional que dê voz, voto e participação aos países do Sul Global, e que se respeite, diferentemente da ordem do século XIX, a soberania e a integridade territorial de países grandes e pequenos."

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