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Bunkers na 'Cidade Maravilhosa': a memória esquecida da 2ª Guerra Mundial no Brasil (FOTOS, VÍDEOS)

Arquivo pessoal/Isabella Cavallero
Arquivo pessoal/Isabella Cavallero - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2026
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A data de 21 de fevereiro de 1945 é lembrada no Brasil como a vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em Monte Castello, contra os fascistas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, o país também se precavia de possíveis ataques do Eixo. Prova disso é que, no Rio de Janeiro, ainda existem bunkers que marcam essa história.
Sob o asfalto de alguns bairros mais famosos da cidade, grande parte das pessoas que passam por essas localidades não imagina que há alguns abrigos antiaéreos construídos na década de 40, mas que atualmente servem para outros fins. Essas construções ajudam a compreender melhor como foi a preparação do governo brasileiro na proteção da sua soberania nacional enquanto seus militares guerreavam no coração da Europa.
Arquivo pessoal/Isabella Cavallero - Sputnik Brasil
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Pesquisadora e arquiteta Isabella Cavallero mapeou bunkers da época da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro
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Pesquisadora e arquiteta Isabella Cavallero mapeou bunkers da época da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro
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Pesquisadora e arquiteta Isabella Cavallero mapeou bunkers da época da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro
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A pesquisadora e arquiteta, Isabella Cavallero, passou a mapear os abrigos antiaéreos no Rio, que na época da guerra era a capital da República, com o intuito de reconstituir o passado e também para aproximar o fato histórico da população, uma vez que ela também costuma fazer passeios guiados por esses esconderijos com o seu projeto Bunker Paradies.

"Comecei a mapear esses bunkers quando encontrei anúncios imobiliários de edifícios que foram construídos durante a Segunda Guerra, aqui no Rio. A maioria desses bunkers foi construída de forma hermética, ou seja, sem troca de ar, e isso restringe a quantidade de pessoas porque a capacidade desses abrigos varia de acordo com a quantidade de oxigênio que existe dentro deles. Em caso de bombardeio, as pessoas poderiam ficar até cerca de duas horas", relatou Cavallero.

Grande parte dessas edificações estão localizados na região Central e na Zona Sul do município, que são áreas com alta densidade populacional e de grande fluxo turístico além de serem margeadas pela Baía de Guanabara e o mar, o que deixaria essa região ainda mais suscetível a ofensivas inimigas como represália pelo a incursão militar brasileira no front italiano, conforme conta Daniel Dinucci, historiador e autor do livro "São Gonçalo e a Segunda Guerra Mundial (1944-45)" a ser lançado neste ano.

"Em um contexto de possível invasão das Forças do Eixo, certamente os locais que poderiam ser atacados seriam o Centro, que era o coração da capital do país, e a Zona Sul, que representava a elite dessa capital, ainda em expansão e com empreendimentos sendo construídos", analisa.

A construção desses bunkers no então Distrito Federal ocorreu a partir do decreto nº 4.098, de 6 de novembro de 1942, do presidente Getúlio Vargas, que previa a edificação de abrigos em prédios com no mínimo cinco andares e em locais de uso coletivo, como hotéis e hospitais.

"Eu já mapeei 50 endereços, no entanto, é possível que eu ache mais anúncios que falem sobre outros edifícios que foram construídos com abrigo antiaéreo. Então, é um número que ainda pode aumentar.", comentou.

Com o aparente cenário de paz no horizonte brasileiro, a maioria desses espaços foram transformados em garagem ou até mesmo de depósitos. Muitos estão localizados em propriedade privada em bairros considerados pertencentes a moradores com alto poder aquisitivo e por isso, muitas vezes o acesso é restrito ao público geral.
Cavallero também ressaltou que o primeiro lugar considerado um bunker do Rio foi em espaço público, no Túnel do Leme, que apesar de ter sido erguido antes do Brasil declarar guerra ao Eixo, acabou sendo adaptado como um abrigo antiaéreo público.

"Eu tentei visitar diversos edifícios onde foram construídos esses abrigos e tive enorme dificuldade, porque quem me atendia eram os porteiros e raramente entravam em contato com o síndico. Grande parte dos bunkers estão totalmente descaracterizados por terem se tornado depósito de entulhos, bicicletários e garagem. Em espaço público, temos o Túnel do Leme, que foi adaptado como abrigo antiaéreo durante a guerra", contou.

Defesa do território nacional

Quando se pensa na participação do Brasil na Segunda Guerra muito se atribui ao papel da infantaria nos teatros de operações europeus, mas o papel dos combatentes brasileiros que ficaram para defender a pátria de possíveis ofensivas, muitas vezes é esquecido, no entanto, o trabalho realizado dentro do país foi fundamental para o esforço de guerra das forças aliadas contra o nazifascismo, como destaca Dinucci.

"Os militares serviram em pontos estratégicos como em Recife, Fernando de Noronha e no Sul do país. Praias litorâneas como a de Piratininga, em Niterói, era vigiada pelo 3º Regimento de Infantaria. No Nordeste foi construída a base aero naval de Parnamirim, que ficou conhecida como o 'Trampolim da Vitória' pois escoava toda a produção de armamentos para o front do Norte da África e posteriormente a invasão da Europa pela Itália", concluiu o historiador.

O posicionamento estratégico dos defensores que ficaram em território brasileiro foi de suma importância, uma vez que o país já havia sido ameaçado, quando submarinos alemães torpedearam navios da Marinha Mercante do Brasil, em 1942, o que resultou em mortes de nacionais. Esse fato foi um alerta para o governo Vargas sair da neutralidade e investir em defesa nacional, sobretudo na capital em áreas estratégicas para proteger a população e a soberania da nação.
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