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'Calamidade sem precedentes', diz deputada à Sputnik Brasil sobre chuvas em Juiz de Fora e Ubá

© Keila Siqueira de LimaRua principal no Centro de Ubá ficou totalmente destruída após alagamento atingir casas e comércios. 25 de fevereiro de 2025
Rua principal no Centro de Ubá ficou totalmente destruída após alagamento atingir casas e comércios. 25 de fevereiro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2026
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Depois de registrar quase metade do volume de chuva previsto para todo o mês em menos de quatro horas, os temporais que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, nos últimos dias já provocaram a morte de pelo menos 48 pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros do estado. Outras 20 seguem desaparecidas.
Mais de 3,5 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas, em meio a um cenário de caos e destruição em diversos pontos e risco de novos desmoronamentos. Em meio às chuvas históricas, que só em Juiz de Fora já ultrapassaram 250% do volume previsto para fevereiro, a cidade voltou a registrar alagamentos na noite da última quarta-feira (25), com volume acima de 80 milímetros. Em Ubá, a situação também segue crítica, e a região central é a mais atingida.
As buscas continuam por pelo menos 20 desaparecidos e, conforme os bombeiros, oito frentes de trabalho foram mobilizadas para atuar nos dois municípios. A deputada federal Ana Pimenta (PT-MG), que acompanha a comitiva enviada pelo governo federal para apoiar as prefeituras, afirmou à Sputnik Brasil que a situação "é uma calamidade que não tem parâmetro na história".
"Eu estive presente em várias áreas nos últimos dias, e cada cidade tem uma característica diferente de impacto. Em Juiz de Fora, tivemos deslizamentos de encostas, com repercussões muito dramáticas nos bairros onde as pessoas vivem. Muitas tiveram que deixar suas casas, algumas perderam tudo, e inclusive houve soterramentos", afirmou.
Em Ubá, que fica a 109 quilômetros de Juiz de Fora, a devastação é maior no centro da cidade, onde ficou ficou alcançou quase oito metros. "A cidade perdeu pontes, comércios, e praticamente toda a parte central foi afetada. Tivemos um impacto muito profundo na estrutura local", acrescentou, ao pontuar que equipes da Defesa Civil Nacional e da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem na região, além de atuarem em Matias Barbosa, que, apesar de não ter registrado vítimas, também foi fortemente atingida.

'Resposta ágil, coordenada e articulada'

De acordo com a parlamentar, nas primeiras horas após as chuvas foram solicitados esforços ao governo federal para apoiar uma "resposta ágil, coordenada e articulada na região", com a presença dos ministros da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e do ministro interino da Saúde, Adriano Massuda.
"É importante que a população saiba que o governo federal está presente na nossa região e nas nossas cidades neste momento de crise [...]. Existe também um esforço enorme das prefeituras para limpar as localidades, contribuir com a reestruturação das ruas e reconstruir as cidades", afirmou.
Até o momento, foram liberados R$ 3,4 milhões em caráter emergencial para os trabalhos em Juiz de Fora e Ubá. Além disso, foi anunciado um repasse de R$ 800 para cada desabrigado pelas chuvas na Zona da Mata. Outro anúncio do Palácio do Planalto foi a destinação de mais de R$ 491 milhões para obras de drenagem urbana e contenção de encostas nas duas cidades, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), prometeu R$ 48,2 milhões para ações de socorro nos municípios. Dados divulgados pelo jornal O Globo na última terça-feira (24) revelaram que, nos últimos dois anos, o Executivo estadual cortou 96% da verba destinada à prevenção de enchentes e deslizamentos no estado, reduzindo o valor de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões.
Em nota, o governo mineiro negou a redução e garantiu que os investimentos aumentaram "170% na média anual em relação ao último ano do governo anterior", do ex-governador Fernando Pimentel (PT), cuja gestão terminou em 2018.
"Em 2025, os recursos aplicados em prevenção contra desastres foram de R$ 1,9 bilhão, sendo o segundo maior investimento dos dois mandatos do governador Romeu Zema, perdendo apenas para o período da pandemia de Covid-19. Esse valor foi utilizado para proteção contra desastres de todos os tipos, incluindo chuvas e alagamentos", justificou.
Centro da cidade de Ubá-MG, após enchente que deixou pelo menos 7 mortos. - Sputnik Brasil, 1920, 25.02.2026
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Eventos climáticos extremos em Minas Gerais

Uma das explicações para as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico, que, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), estão até 3°C acima da média histórica.
Com isso, há mais umidade no ar e, com a atuação de frentes frias, aumentam as chances de eventos climáticos extremos, especialmente em Minas Gerais. Toda a região segue em alerta de grande perigo para temporais até a próxima sexta-feira (27), com possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora.
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