Mídia: queda de Toffoli e avanço da PF expõem racha no pacto político que tentava conter investigações

© Foto / Lula Marques/Agência Brasil
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A ruptura do acordo informal que blindava investigados em casos como o Master e a fraude do INSS expôs disputas entre PF, Congresso e governo, reacendeu investigações sensíveis e levou a ofensivas como a quebra de sigilo do filho do presidente Lula, ampliando tensões e desorganizando o pacto político da impunidade.
Segundo a Folha de S.Paulo, o pacto informal para conter danos em investigações sensíveis — do caso Master à fraude no INSS — entrou em colapso. O que antes funcionava como um acordo tácito de proteção mútua entre políticos, investigadores e aliados agora se desfaz diante de disputas internas, medo de perda de blindagem e uma Polícia Federal (PF) mais autônoma.
O resultado é um ambiente de tensão em pleno ano eleitoral, em que cada movimento expõe rachaduras e amplia o risco de retaliações.
A queda de Dias Toffoli da relatoria do inquérito do Master simbolizou esse abalo. A PF, antes contida, passou a atuar com mais liberdade sob decisões de André Mendonça, o que irritou setores do Congresso e alimentou suspeitas de que o governo estaria estimulando investigações contra parlamentares. Ao mesmo tempo, governistas cometeram erros estratégicos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, abrindo espaço para derrotas e para o avanço de requerimentos que antes seriam barrados.
De acordo com a apuração, até parlamentares realmente interessados em investigar passaram a contribuir para o desmonte do antigo arranjo de impunidade. O temor é que, sem coordenação, documentos e informações sensíveis acabem expostos, ampliando o desgaste político.
Impedida de avançar sobre o caso Master por decisão das cúpulas do Congresso, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre o Crime Organizado tornou-se um ponto de inflexão, uma versão reduzida da investigação original — mas suficiente para mostrar que o pacto parlamentar estava estremecido. A situação se agravou quando a CPMI do INSS aprovou dezenas de convocações e quebras de sigilo, incluindo a de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, alvo simbólico da oposição.
A derrota do governo na CPMI, entretanto, marcou uma virada, especialmente após a revelação de que o sigilo de Lulinha já havia sido quebrado meses antes por decisão de Mendonça, a pedido da PF, o que reforçou a percepção de que o controle político sobre investigações se enfraquecia.
Ao mesmo tempo, Mendonça liberou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas permitiu que irmãos de Toffoli evitassem convocação na CPI do Crime Organizado, evidenciando contradições e seletividades no processo.
A PF também avançava sobre o esquema das emendas, irritando especialmente Davi Alcolumbre, que já vinha se distanciando do governo. Governistas recorreram a ele para tentar reverter a quebra de sigilo de Lulinha, alegando votação fraudulenta, mas encontraram pouca disposição para ajudar. O incômodo de Alcolumbre com o Planalto desde 2025 tornou-se mais um fator de instabilidade.
A mídia conclui que reconstruir o pacto exigirá negociações complexas, mas, apesar do caos atual, a expectativa é de que as conversas para repactuar a proteção mútua acabem acontecendo — ainda que em novos termos e sob novas tensões.



