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Ataques contra o Irã aumentam incerteza energértica, afirmam analistas
Ataques contra o Irã aumentam incerteza energértica, afirmam analistas
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Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil analisam que o cenário ainda é altamente imprevisível no Irã, mas já revela riscos de escalada regional... 01.03.2026, Sputnik Brasil
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Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o país abriram um novo capítulo de tensão no Oriente Médio e ampliaram as incertezas sobre estabilidade política, segurança energética e economia global.A analista Dominique Marques, doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que a morte do líder supremo iraniano durante as operações militares criou um momento sensível de transição política.Segundo ela, o governo iraniano busca preservar rapidamente a estabilidade institucional para evitar disputas internas. “A rápida indicação de uma liderança interina mostra uma tentativa de impedir fragmentação política ou até um cenário de guerra civil, mantendo a estrutura religiosa do poder durante esse período de reorganização”, explica.Na avaliação da especialista, apesar da pressão internacional e da atuação de grupos opositores, um retorno da antiga monarquia iraniana é improvável. Marques observa que a família do antigo xá possui relevância simbólica, mas não força política suficiente para liderar uma mudança no governo. Para ela, eventuais transformações internas tenderiam a ocorrer de forma gradual, e não por meio de uma ruptura abrupta.A pequisadora também destaca que mesmo que a oposição ao governo iraniano não pode ser ignorada, mas ressalta que tensões internas frequentemente são ampliadas por disputas geopolíticas externas.“O Irã ocupa um papel central no chamado eixo de resistência regional, o que o transforma em alvo estratégico de pressões dos Estados Unidos e de Israel”, afirma. Nesse contexto, segundo Marques, a eliminação da principal liderança iraniana pode ser interpretada como uma tentativa de enfraquecer a articulação regional do país.Sobre a participação direta dos Estados Unidos nos ataques, ela avalia que a decisão pode gerar efeitos contrários aos interesses norte-americanos. “Ações militares sem amplo respaldo internacional tendem a produzir instabilidade prolongada e aumentar o risco de isolamento diplomático de Washington, além de afetar rotas energéticas estratégicas”, acrescenta.A pesquisadora Astrid Cazalbon, integrante do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (GESENE), destaca que a dimensão energética é central para compreender a crise. Segundo ela, o Estreito de Hormuz — por onde circula cerca de um quarto do petróleo mundial — representa um dos principais pontos de tensão do conflito.“Qualquer interrupção prolongada nessa rota marítima tem potencial imediato de elevar os preços da energia e provocar efeitos em cadeia na economia global”, afirma.Embora o controle da região seja disputado por diferentes atores, Cazalbon observa que o Irã mantém presença militar relevante, aumentando o risco de restrições à navegação. Para a especialista, a escalada militar pode gerar consequências negativas inclusive para aliados dos Estados Unidos no Golfo, cujas economias dependem fortemente da estabilidade do mercado energético.Ela também avalia que o conflito pode estimular rearranjos diplomáticos inesperados. “A pressão econômica pode levar países que tradicionalmente não dialogam a buscar algum tipo de coordenação para proteger suas próprias economias domésticas”, diz.Ao comparar o cenário iraniano com intervenções recentes dos Estados Unidos em outros países, Cazalbon aponta a capacidade de dissuasão nuclear como elemento central da crise. “Países sem poder de dissuasão tornam-se mais vulneráveis. O Irã pode não ter armamento confirmado, mas possui capacidade tecnológica suficiente para alterar o cálculo estratégico dos adversários”, afirma.Ambas concordam que ainda é cedo para prever os desdobramentos definitivos do conflito. A continuidade do governo iraniano, a duração das operações militares e a reação dos mercados dependerão tanto da capacidade de liderança interna em Teerã quanto da evolução das respostas militares e diplomáticas nos próximos dias.
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‘Sem dissuasão nuclear, América Latina fica mais vulnerável em cenário de crises’, analisa especialista
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Ataques contra o Irã aumentam incerteza energértica, afirmam analistas
19:47 01.03.2026 (atualizado: 19:48 01.03.2026) Especiais
Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil analisam que o cenário ainda é altamente imprevisível no Irã, mas já revela riscos de escalada regional, reorganização geopolítica e efeitos diretos sobre mercados internacionais.
Os ataques coordenados de
Estados Unidos e Israel contra o país abriram um novo capítulo de tensão no Oriente Médio e
ampliaram as incertezas sobre estabilidade política, segurança energética e economia global.A analista Dominique Marques, doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que a morte do líder supremo iraniano durante as operações militares criou um momento sensível de transição política.
Segundo ela, o governo iraniano busca preservar rapidamente a estabilidade institucional para evitar disputas internas. “A rápida indicação de uma liderança interina mostra uma tentativa de impedir fragmentação política ou até um cenário de guerra civil, mantendo a estrutura religiosa do poder durante esse período de reorganização”, explica.
Na avaliação da especialista, apesar da pressão internacional e da atuação de grupos opositores,
um retorno da antiga monarquia iraniana é improvável. Marques observa que a família do antigo xá possui relevância simbólica, mas não força política suficiente para liderar uma
mudança no governo. Para ela, eventuais transformações internas tenderiam a ocorrer de forma gradual, e não por meio de uma ruptura abrupta.
A pequisadora também destaca que mesmo que a oposição ao governo iraniano não pode ser ignorada, mas ressalta que tensões internas frequentemente são ampliadas por disputas geopolíticas externas.
“O Irã ocupa um papel central no chamado eixo de resistência regional, o que o transforma em alvo estratégico de pressões dos Estados Unidos e de Israel”, afirma. Nesse contexto, segundo Marques, a eliminação da principal liderança iraniana pode ser interpretada como uma tentativa de enfraquecer a articulação regional do país.
Sobre a participação direta dos Estados Unidos nos ataques, ela avalia que a decisão pode gerar efeitos contrários aos interesses norte-americanos. “Ações militares sem amplo respaldo internacional tendem a produzir instabilidade prolongada e aumentar o risco de isolamento diplomático de Washington, além de afetar rotas energéticas estratégicas”, acrescenta.
“A rápida indicação de uma liderança interina mostra uma tentativa de impedir fragmentação política ou até um cenário de guerra civil.”
A pesquisadora
Astrid Cazalbon, integrante do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (GESENE), destaca que a dimensão energética é central para compreender a crise. Segundo ela,
o Estreito de Hormuz — por onde circula cerca de um quarto do petróleo mundial — r
epresenta um dos principais pontos de tensão do conflito.
“Qualquer interrupção prolongada nessa rota marítima tem potencial imediato de elevar os preços da energia e provocar efeitos em cadeia na economia global”, afirma.
Embora o controle da região seja disputado por diferentes atores, Cazalbon observa que o Irã mantém presença militar relevante, aumentando o risco de restrições à navegação. Para a especialista, a escalada militar pode gerar consequências negativas inclusive para aliados dos Estados Unidos no Golfo, cujas economias dependem fortemente da estabilidade do mercado energético.
Ela também avalia que o conflito pode estimular
rearranjos diplomáticos inesperados. “A pressão econômica pode levar países que tradicionalmente não dialogam a buscar algum tipo de coordenação para proteger suas próprias economias domésticas”, diz.
Ao comparar o cenário iraniano com intervenções recentes dos Estados Unidos em outros países, Cazalbon aponta a capacidade de dissuasão nuclear como elemento central da crise. “Países sem poder de dissuasão tornam-se mais vulneráveis. O Irã pode não ter armamento confirmado, mas possui capacidade tecnológica suficiente para alterar o cálculo estratégico dos adversários”, afirma.
“Qualquer interrupção no Estreito de Hormuz tem potencial imediato de elevar os preços da energia e impactar toda a economia global.”
Ambas concordam que ainda é cedo para prever os desdobramentos definitivos do conflito. A continuidade do governo iraniano, a duração das operações militares e a reação dos mercados dependerão tanto da capacidade de liderança interna em Teerã quanto da evolução das respostas militares e diplomáticas nos próximos dias.
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