Ameaças à Espanha corroem a influência dos EUA na Europa, afirma especialista

© AP Photo / Alex Brandon
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A recusa da Espanha em apoiar a ofensiva dos EUA contra o Irã expõe o desgaste da influência de Washington na Europa, após um ano de ameaças comerciais de Trump, e alimenta tensões que vão da cooperação militar à defesa de um exército europeu.
O uso de ameaças na política externa de Washington corroeu sua influência na Europa, é o que explica o atual conflito com a Espanha, disse à Sputnik o especialista em relações internacionais Daniel Muñoz.
Muñoz acredita que a resposta europeia ao apelo de Washington por apoio à sua ofensiva no país persa não foi tão enérgica porque as ameaças comerciais emitidas pelo presidente Donald Trump ao longo do último ano impactaram negativamente essas sociedades.
Segundo o analista, "o uso da força, o uso de ameaças, foi muito subestimado. É o recurso com o qual ele acredita que imporá sua agenda. Ele praticamente se esqueceu da diplomacia como parte de sua estratégia de política externa".
De acordo com Muñoz, uma potencial ruptura comercial com a Espanha teria duas consequências diretas no curto prazo. A primeira seria a perda de um aliado geoestratégico devido à sua posição no Mediterrâneo, num momento em que as suas Forças Armadas precisem de se retirar do golfo Pérsico.
Além disso, o apoio que a Comissão Europeia ofereceu à Espanha face a esta nova ameaça comercial poderia reforçar os apelos à criação de um exército europeu para reduzir a dependência militar de Washington — uma ideia que, aliás, tem sido promovida por Madri desde a criação do chamado Conselho da Paz.
"A grande vantagem de uma economia como a espanhola é que não age unilateralmente. É uma economia apoiada pela União Europeia e por outros 26 Estados-membros. Isto significa que, em última análise, os efeitos desta potencial ruptura nas relações seriam mais retóricos do que práticos", argumenta Muñoz.



