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Pragmatismo Brasil-Chile supera diferenças ideológicas e intensifica parcerias comerciais

© Foto / Ricardo StuckertO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Cidade do Panamá, Panamá, 27 de janeiro de 2026
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Cidade do Panamá, Panamá, 27 de janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 11.03.2026
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Brasil e Chile não compartilham fronteira direta, mas sua interação comercial e turística nos últimos anos mostra que a distância não é um obstáculo quando há altos interesses em jogo. Não por acaso, o comércio bilateral movimenta mais de US$ 13 bilhões (R$ 67,55 bilhões) por ano, com potencial de expansão em diversos setores.
Nem diferenças políticas parecem arrefecer o movimento de aproximação entre as duas nações, como apontam vários acordos de cooperação, investimentos e interações comerciais recentes.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América do Sul, sendo a principal origem das importações chilenas da região, com participação significativa nos mercados de carne bovina e suína, soja e derivados, petróleo e derivados, tratores, automóveis e açúcar. Globalmente, o Brasil é a quarta principal origem das importações chilenas. Já o Chile é o sétimo maior parceiro comercial do Brasil.
Com ideologias bastante opostas no âmbito da política, os mandatários Luiz Inácio Lula da Silva e José Antonio Kast, que tomou posse nesta quarta-feira (11), têm adotado até agora uma estratégia pragmática, por meio da diplomacia de resultados. Veja abaixo alguns acordos e transações concretizadas entre Brasília e Santiago nos últimos anos e que seguem "firmes e fortes":
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1. Acordo de Livre Comércio (ALC)

Brasil e Chile assinaram, em 2018, após quatro rodadas de negociação, o Acordo de Livre Comércio (ALC), em vigor desde 25 de janeiro de 2022. O instrumento complementa a liberalização alcançada no Acordo de Complementação Econômica entre o Mercosul e o Chile (ACE nº 35) e incorpora disciplinas para maior intercâmbio comercial, tanto de bens quanto de serviços.
Eliminou tarifas de importação sobre quase 100% dos bens comercializados e foi o primeiro acordo do Brasil a incluir capítulos sobre comércio eletrônico e eliminação de taxas de roaming internacional entre os países.
Um dos pontos mais modernos do acordo bilateral permite que empresas brasileiras participem de licitações do governo chileno em igualdade de condições com as locais, e vice-versa. O mercado estimado para fornecedores brasileiros é de aproximadamente US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões), de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

2. Corredor bioceânico

Este é um projeto de infraestrutura de 2,5 mil quilômetros que visa ligar o sul do Brasil, a partir do porto de Santos (Atlântico), aos portos do norte do Chile (Pacífico), passando por Paraguai e Argentina.
De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, o corredor pode reduzir em até 14 dias o tempo de transporte de mercadorias brasileiras para a Ásia, evitando o canal do Panamá, e dobrar a corrente de comércio entre os países.
A ponte principal sobre o rio Paraguai tem previsão de entrega para agosto deste ano, e o corredor rodoviário, que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, deve ser ativado em 2027, de acordo com a divisão de integração de infraestrutura do Itamaraty.
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3. Importações e exportações estratégicas

Vital para a segurança energética chilena, o petróleo bruto brasileiro lidera a pauta de exportações para o Chile, representando cerca de 25% a 30% do total vendido pelo Brasil ao país andino. No setor industrial, o Chile é um dos cinco maiores mercados para os veículos de passageiros produzidos em solo brasileiro.
Em 2025 e no início de 2026, também houve um aumento significativo nas vendas de milho e algodão bruto brasileiro para o mercado chileno, diversificando a pauta agrícola.
Já o Chile, maior produtor mundial de cobre, fornece esse mineral para a indústria elétrica e de construção do Brasil. Além disso, o Brasil é o maior destino do salmão chileno na América Latina: quase 90% do salmão consumido pelos brasileiros tem origem em águas chilenas.
Não se pode esquecer do vinho chileno, que domina as prateleiras dos supermercados Brasil afora, detendo uma quota de mercado superior a 40% entre os vinhos importados. O consumidor brasileiro é um dos que mais cresce em volume de compra de rótulos chilenos premium, sendo o Brasil o primeiro ou segundo maior destino global para diversas vinícolas do país andino.
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4. Cooperação espacial e científica

Em agosto de 2024, Brasil e Chile firmaram um acordo para o uso pacífico do espaço, que inclui intercâmbio de tecnologia para satélites, monitoramento climático e observação da Terra, unindo a Agência Espacial Brasileira (AEB) a iniciativas chilenas.
O Centro Espacial Nacional do Chile (CEN) terá 5,8 mil metros quadrados para o desenvolvimento da ciência espacial, no Parque Bicentenário de Cerrillos, na região metropolitana de Santiago, de acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia. A instalação contará com laboratório de fabricação de satélites e cargas úteis, centro de empreendedorismo e inovação espacial, centro de controle de missão espacial e centro de processamento e análise de dados geoespaciais.
Os dois países também estão trabalhando conjuntamente em um modelo de linguagem unificado, que reflita as particularidades culturais e regionais da América do Sul, e estratégias de inteligência artificial (IA).

5. Setor de cosméticos e higiene

Em 2025, foi celebrado um acordo específico para facilitar o comércio de cosméticos, produtos de higiene e perfumaria, para simplificar as exigências regulatórias e sanitárias e acelerar a entrada de marcas brasileiras no Chile.
O Chile é o segundo maior destino das exportações brasileiras do setor na América Latina, atrás apenas da Argentina, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Cosméticos representam 10,1% das exportações brasileiras para o Chile, e o Brasil é o quarto maior mercado consumidor de cosméticos do mundo, afirma a pasta.

6. Acordo para eliminar dupla tributação

No início do mês, o governo brasileiro publicou o decreto de um acordo com o Chile para eliminar a dupla tributação sobre a renda e evitar a não tributação. Os normativos também têm por objetivo coibir a tributação reduzida por meio de evasão e elisão fiscal. O Decreto 12.863/2026 promulga um protocolo assinado entre os dois países em Santiago em 2022.
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