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Análise: EUA não interrompem fluxo de armas para o México; segurança é desculpa para impor agenda
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Os esforços limitados dos Estados Unidos para conter o tráfico de armas do país para o México demonstram que sua luta contra o narcotráfico é mais uma retórica... 12.03.2026, Sputnik Brasil
2026-03-12T02:21-0300
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No dia 10 de março, o governo mexicano destacou que a maior parte das armas apreendidas em operações de segurança provém diretamente de seu vizinho do norte.Em coletiva de imprensa, o secretário de Segurança e Proteção ao Cidadão, Omar García Harfuch, salientou que, até o momento, durante o atual governo, 24.122 armas de fogo foram apreendidas, das quais 75% são provenientes dos EUA. Esse fenômeno também foi observado pelo próprio Ministério da Defesa Nacional. No final de fevereiro, o brigadeiro-general da Justiça Militar, Alejandro Ramos Flores, e o brigadeiro-general do Estado-Maior, César Omar Quintón Ponce, declararam em entrevista à imprensa nacional que pouco mais de 80% das armas apreendidas em território mexicano vieram do país norte-americano, principalmente porque a legislação daquele país facilitava seu livre fluxo.As declarações dos líderes militares surgiram dias depois de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) ter revelado que gangues criminosas mexicanas estavam usando munição calibre .50 fabricada pela fábrica de munições do Exército de Lake City, pertencente ao governo dos EUA e principal fabricante para suas forças armadas.Posteriormente, os dados foram confirmados pelo chefe do Ministério da Defesa mexicano, Ricardo Trevilla, que destacou que, desde 2012, 137.000 cartuchos desse calibre haviam sido apreendidos, dos quais 47% eram da empresa mencionada.Mais discurso do que compromissoEm entrevista à Sputnik, o analista de segurança Rubén Ramos Muñoz acredita que a posição dos EUA no combate ao narcotráfico é mais retórica do que um compromisso real, dada a inação no controle do fluxo de armas para o México, a maioria das quais acaba nas mãos do crime organizado.O acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) indica que apenas 3% das armas que chegam de Washington são apreendidas pelas autoridades norte-americanas, fato que demonstra que aquela nação não está realmente interessada em deter o tráfico de drogas."Os EUA não estão tão comprometidos quanto afirmam em seus discursos, mas funcionam como um instrumento de política externa para exercer pressão, neste caso, sobre o nosso país, apenas como um mecanismo para implementar sua política externa e satisfazer seus interesses por meio dessa desculpa", enfatiza ele.O pesquisador argumenta que, historicamente, os EUA têm buscado criar um inimigo comum para promover suas políticas nos países latino-americanos, manter o controle político na região e sustentar sua influência. Em um momento foi o comunismo, depois o terrorismo e, agora, o narcoterrorismo.Partindo dessa premissa, o presidente dos EUA, Donald Trump, promoveu a criação do grupo "Escudo das Américas" — do qual excluiu países como México, Colômbia e Brasil — e, poucos dias depois, publicou uma nova estratégia para restringir o poder territorial dos cartéis.Apesar disso, Ramos Muñoz destaca que pouco está sendo feito para combater o tráfico de drogas nos EUA; ou seja, os grupos criminosos e seus cúmplices no governo que distribuem e vendem drogas em seus territórios são desconhecidos."Quase não se fala em prender traficantes de drogas norte-americanos, autoridades corruptas nos Estados Unidos ou mesmo traficantes de rua que atuam dentro do país. Parece que as drogas simplesmente chegam do outro lado da fronteira e se distribuem sozinhas", diz ele.O peso do setor de armamentosOutro fator que permite o fluxo de armas dos EUA para o México é o poder representado pelo setor armamentista no país norte-americano, que exerce significativa influência política e econômica, argumenta Ramos Muñoz.Essa ideia faz parte do livro A Violência Veio do Norte, publicado pelo escritor Carlos A. Pérez Ricart, que explica como, nos últimos 20 anos, a flexibilização do comércio legal de armas nos EUA teve um impacto direto tanto na quantidade desses dispositivos que chegam contrabandeados ao México, quanto nos níveis de violência no país latino-americano.O pesquisador do Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (CIDE) afirma que o número anual de armas que entram no México vindas dos EUA pode variar de 70.000 a 400.000, embora os estudos mais cautelosos falem em 145.000, ou seja, uma média de 400 armas por dia.Em entrevista ao Grupo Fórmula, Pérez-Ricart destacou que, apesar da evidência desse fluxo, desde 2005 as lojas de armas norte-americanas não enfrentaram um único processo judicial pela violência gerada, em um contexto no qual detêm um enorme poder econômico.Acadêmicos estimam que existam mais de 70.000 pontos de venda de armas nos EUA, número superior ao de filiais das redes de café e fast-food mais famosas do país.A este respeito, Ramos Muñoz afirma que a impossibilidade de processar as lojas de armas se explica, em parte, pela grande contribuição econômica e política que elas têm na nação norte-americana, desempenhando um papel crucial em épocas de eleições.Desde o mandato anterior de seis anos, o México trava uma batalha legal para responsabilizar solidariamente as lojas de armas norte-americanas pela violência, para a qual, por meio do Ministério das Relações Exteriores, foi apresentada uma ação judicial que foi arquivada em meados de 2025.De acordo com o especialista, esse tipo de ação, aliado a denúncias públicas por parte das autoridades mexicanas, fará parte da estratégia política local, mas com poucos resultados visíveis, dada a sua dependência dos EUA.De fato, Ramos Muñoz alerta que a pressão exercida por Washington em questões de segurança pode escalar para questões políticas e econômicas, no âmbito da renegociação do USMCA, o que exporia ainda mais que a questão do combate ao crime é um pretexto para impor uma agenda política, especificamente no país latino-americano.
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Análise: EUA não interrompem fluxo de armas para o México; segurança é desculpa para impor agenda
02:21 12.03.2026 (atualizado: 07:52 12.03.2026) Os esforços limitados dos Estados Unidos para conter o tráfico de armas do país para o México demonstram que sua luta contra o narcotráfico é mais uma retórica para impor uma agenda política, disse um especialista à Sputnik.
No dia 10 de março, o governo mexicano destacou que a maior parte das armas apreendidas em operações de segurança provém diretamente de seu vizinho do norte.
Em coletiva de imprensa, o secretário de Segurança e Proteção ao Cidadão, Omar García Harfuch, salientou que, até o momento, durante o atual governo, 24.122 armas de fogo foram apreendidas, das quais 75% são provenientes dos EUA. Esse fenômeno também foi observado pelo próprio Ministério da Defesa Nacional.
No final de fevereiro, o brigadeiro-general da Justiça Militar, Alejandro Ramos Flores, e o brigadeiro-general do Estado-Maior, César Omar Quintón Ponce, declararam em entrevista à imprensa nacional que pouco mais de 80% das armas apreendidas em território mexicano vieram do país norte-americano, principalmente porque a legislação daquele país facilitava seu livre fluxo.
As declarações dos líderes militares surgiram dias depois de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) ter revelado que
gangues criminosas mexicanas estavam usando munição calibre .50 fabricada pela
fábrica de munições do Exército de Lake City, pertencente ao governo dos EUA e principal fabricante para suas forças armadas.
Posteriormente, os dados foram confirmados pelo chefe do Ministério da Defesa mexicano, Ricardo Trevilla, que destacou que, desde 2012, 137.000 cartuchos desse calibre haviam sido apreendidos, dos quais 47% eram da empresa mencionada.
Mais discurso do que compromisso
Em entrevista à Sputnik, o analista de segurança Rubén Ramos Muñoz acredita que a posição dos EUA no combate ao narcotráfico é mais retórica do que um compromisso real, dada a inação no controle do fluxo de armas para o México, a maioria das quais acaba nas mãos do crime organizado.
O acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) indica que
apenas 3% das armas que chegam de Washington são apreendidas pelas autoridades norte-americanas, fato que demonstra que aquela nação não está realmente interessada em
deter o tráfico de drogas.
"Os EUA não estão tão comprometidos quanto afirmam em seus discursos, mas funcionam como um instrumento de política externa para exercer pressão, neste caso, sobre o nosso país, apenas como um mecanismo para implementar sua política externa e satisfazer seus interesses por meio dessa desculpa", enfatiza ele.
O pesquisador argumenta que, historicamente, os EUA têm buscado criar um inimigo comum para promover suas políticas nos países latino-americanos, manter o controle político na região e sustentar sua influência. Em um momento foi o comunismo, depois o terrorismo e, agora, o narcoterrorismo.
Partindo dessa premissa, o presidente dos EUA, Donald Trump, promoveu a criação do grupo "Escudo das Américas" — do qual excluiu países como México, Colômbia e Brasil — e, poucos dias depois, publicou uma nova estratégia para restringir o poder territorial dos cartéis.
Apesar disso, Ramos Muñoz destaca que pouco está sendo feito para combater o tráfico de drogas nos EUA; ou seja, os grupos criminosos e seus cúmplices no governo que distribuem e vendem drogas em seus territórios são desconhecidos.
"Quase não se fala em prender traficantes de drogas norte-americanos, autoridades corruptas nos Estados Unidos ou mesmo traficantes de rua que atuam dentro do país. Parece que as drogas simplesmente
chegam do outro lado da fronteira e se distribuem sozinhas", diz ele.
O peso do setor de armamentos
Outro fator que permite o fluxo de armas dos EUA para o México é o poder representado pelo setor armamentista no país norte-americano, que exerce significativa influência política e econômica, argumenta Ramos Muñoz.
Essa ideia faz parte do livro A Violência Veio do Norte, publicado pelo escritor Carlos A. Pérez Ricart, que explica como, nos últimos 20 anos, a flexibilização do comércio legal de armas nos EUA teve um impacto direto tanto na quantidade desses dispositivos que chegam contrabandeados ao México, quanto nos níveis de violência no país latino-americano.
O pesquisador do Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (CIDE) afirma que o número anual de armas que entram no México vindas dos EUA pode variar de 70.000 a 400.000, embora os estudos mais cautelosos falem em 145.000, ou seja, uma média de 400 armas por dia.
Em entrevista ao Grupo Fórmula, Pérez-Ricart destacou que, apesar da evidência desse fluxo, desde 2005 as lojas de armas norte-americanas não enfrentaram um único processo judicial pela violência gerada, em um contexto no qual detêm um enorme poder econômico.
Acadêmicos estimam que existam mais de 70.000 pontos de
venda de armas nos EUA, número superior ao de filiais das redes de café e fast-food mais famosas do país.
A este respeito, Ramos Muñoz afirma que a impossibilidade de processar as lojas de armas se explica, em parte, pela grande contribuição econômica e política que elas têm na nação norte-americana, desempenhando um papel crucial em épocas de eleições.
"As próprias leis dos EUA apoiam os fabricantes de armas porque isso representa a indústria armamentista: uma grande geradora de recursos, e evidentemente o próprio Estado e os lobbies do armamento patrocinam as campanhas políticas do governo atual", comenta ele.
Desde o mandato anterior de seis anos, o México trava uma batalha legal para responsabilizar solidariamente as lojas de armas norte-americanas pela violência, para a qual, por meio do Ministério das Relações Exteriores, foi apresentada uma ação judicial que foi arquivada em meados de 2025.
De acordo com o especialista, esse tipo de ação, aliado a denúncias públicas por parte das autoridades mexicanas, fará parte da estratégia política local, mas com poucos resultados visíveis, dada a sua dependência dos EUA.
De fato, Ramos Muñoz alerta que a pressão exercida por Washington em questões de segurança pode escalar para questões políticas e econômicas, no âmbito da renegociação do USMCA, o que exporia ainda mais que a questão do combate ao crime é um pretexto para impor uma agenda política, especificamente no país latino-americano.
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